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Luis Eduardo Matta participa do programa “Livros em Revista”
A próxima edição do programa online “Livros em Revista”, apresentado por Ralph Peter, contará com a participação do escritor carioca Luis Eduardo Matta. Entre os assuntos a serem abordados na entrevista, destaque para temas como literatura de entretenimento e o thriller no Brasil. Considerado um dos expoentes brasileiros do romance de suspense não-policial, Matta discorrerá, também, sobre o seu sétimo livro, “O véu” – um thriller de mistério, publicado pela Primavera Editorial, no qual os bastidores do rico mercado de arte se cruzam com as sórdidas entranhas da turbulenta política do Irã. “Livros em Revista” vai ao ar nesta quinta-feira (20/5), às 15 horas, pela ClicTV (www.clictv.com.br).
Em “O véu”, a narrativa eletrizante de Luis Eduardo Matta leva o leitor a “cenários” distintos como Rio de Janeiro, Teerã e Genebra. O ponto de partida é o leilão, no Brasil, de uma misteriosa tela a óleo, chamada “O Véu”. Condenado por lideranças muçulmanas por retratar uma mulher seminua usando o véu islâmico, o quadro tem uma trajetória marcada por sucesso, polêmica, intriga e tragédia. Diversas pessoas tiveram a morte associada à obra – inclusive o pintor, Lourenço Monte Mor. Resultado de minuciosa pesquisa sobre o Irã, “O véu” é uma obra atual, que transpôs para a ficção a história recente de um país marcado pela polêmica. O autor, inclusive, aborda as eleições presidenciais iranianas realizadas em junho de 2009.
Luis Eduardo Matta
Nascido no Rio de Janeiro, em 1974, cidade onde atualmente reside, Luis Eduardo Matta é uma das vozes mais criativas e originais da nova literatura nacional. Descendente de libaneses pelo lado paterno, o autor iniciou a carreira literária em 1993, aos 18 anos, com a publicação do livro Conexão Beirute-Teeran (Editora Chamaeleon), um thriller com nuances policiais, ambientado no pós-guerra do Líbano. A decisão de assumir por ofício a escrita pelo viés ficcional resultou na publicação das obras “Ira implacável: Indícios de uma conspiração” (Razão Cultural Editora); “120 horas” (Editora Planeta); “Morte no colégio” (Editora Ática); “Roubo no paço imperial” (Editora Ática); “O rubi do planalto central” (Editora Ática); e “O véu” (Primavera Editorial). A gradativa consolidação da carreira literária de Luis Eduardo Matta tem materializado o sonho do autor: ver surgir um thriller genuinamente brasileiro. Com abordagem contemporânea e estilo ágil, sutil e refinado, Matta confere ao thriller uma fisionomia brasileira sem despojá-lo das características fundamentais do gênero universal.
Árabes, um contínuo “descobrimento” do Brasil
Os 130 anos da imigração árabe no Brasil são registros meramente oficiais de uma entrada de grandes levas de árabes a partir de 1880, pois os árabes vieram ao Brasil bem antes do que as crônicas oficiais registram. Datam da época dos grandes descobrimentos – quando Portugal era uma das potências marítimas e as naus lusitanas singravam os mares em busca de novas terras para a coroa –, notas sobre navegadores e cartógrafos árabes acompanhando os grandes conquistadores. A invenção do astrolábio pelos árabes e a subsequente fama deles na navegação fez com que muitos capitães portugueses e espanhóis usassem a perícia árabe. Talvez um dos mais famosos navegadores árabes tenha sido Ahmad ibn Majid, que acompanhou Vasco da Gama em várias de suas viagens, inclusive na célebre incursão à Índia, contornando o Cabo da Boa Esperança. Alguns pesquisadores afirmam que Pedro Álvares Cabral possa ter tido entre os tripulantes um cartógrafo árabe que sobreviveu à queda de Granada, em 1492 – assim como fizeram os navegadores que vieram nas duas primeiras décadas após o descobrimento. Não se sabe, porém, se algum desses árabes do Brasil Colônia permaneceu aqui.
Voltando aos anais oficiais, a imigração das grandes levas começou realmente há aproximadamente 130 anos, tendo início com a fuga de milhares de jovens cristãos da perseguição otomana que dominava com pulso de aço a Grande Síria, hoje Síria, Líbano, Israel e parte da Jordânia. A ideia desses jovens imigrantes – muitos que mal tinham entrado na adolescência – era “fazer a América”. Isso significava trabalhar duro, ganhar muito dinheiro e voltar ao país de origem. Muitos embarcavam nos navios dos portos de Beirute, Haifa, Trípoli e Latáquia, sabendo somente que iam à América. Ou seja, não tinham conhecimento que a América podia ser Estados Unidos, Brasil, Argentina, Chile, México… Muitos desciam em um país, pensando que era outro; desembarcaram até em ilhas do Caribe. A história oral desses primeiros imigrantes registra, com certa dose de humor, que alguns desceram no Brasil pensando ter chegado aos Estados Unidos; outros achavam que era a Argentina.
Um outro aspecto curioso sobre os primeiros imigrantes árabes que vieram ao Brasil Império reside no fato dpossuírem documentos nos quais constava a profissão de agricultor. O que era verdade! A maioria tinha saído de aldeias onde trabalhavam em plantações e no pastoreio. Ao chegar ao Brasil, entretanto, iniciavam a profissão de mascate, seguindo, quem sabe, os passos dos primos judeus que os antecederam na vinda ao país. Os árabes vendiam roupas, tecidos, bijuterias, panelas – e o que mais fosse encomendado pela clientela –, em lombo de mulas ou carroças; autênticas lojas de armarinhos ambulantes. Por serem majoritariamente cristãos, os primeiros imigrantes logo se aclimataram e absorveram os hábitos e costumes do país adotivo, casaram com brasileiras e tiveram filhos; raros foram os que retornaram à pátria de origem.
Todos esses árabes que vieram no final do século 19 e no período de queda do império otomano, cristãos ou muçulmanos, vinham com um documento que se chamava laissez passer – “deixai passar”, em francês, a língua diplomática da época –com o timbre do governo turco otomano. Daí o apelido de turco. Na verdade, esses primeiros imigrantes não sabiam dizer mais do que duas ou três frases em turco; geralmente com palavrões. Mas eram ‘turcos’ para as autoridades brasileiras e para o povo. Guardadas as devidas proporções, seria o mesmo que um nativo do Brasil, à época da Colônia, fosse para a Europa. Ele seria considerado, oficialmente, um português d’além mar. A diferença é que esse cidadão realmente falava o português; já o imigrante árabe não falava turco. Mas o apelido continuou até os dias de hoje mesmo entre as pessoas de boa escolaridade; pessoas que ainda pensam que todos esses caras que falam português enrolado e têm lojas de confecções são “turcos”.
A partir da queda do Império Otomano, em 1918, diminuiu a vinda dos cristãos e começou a chegada dos muçulmanos, seguindo o mesmo caminho dos antecessores. Mascateavam comboiando os ciclos das produções agrícolas e extrativas brasileiras. Quando houve o ciclo da borracha na Amazônia lá estavam os mascates, vendendo mercadorias aos extratores. Quando o ciclo da borracha acabou, partiram em busca de outras fontes, mas muitos ficaram por lá, abriram estabelecimentos comerciais, casaram com brasileiras e formaram famílias. Seus descendentes estão espalhados pelo Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia e Amapá.
Quando surgiu o Ciclo do Café, os árabes inundaram as regiões produtoras. No início do século 20, São Paulo foi invadido por um tsunami sírio-libanês. Hoje, uma parte expressiva desses imigrantes se tornou nome de ruas e viadutos; seus descendentes são políticos de notoriedade nacional, intelectuais de alto brilho e estrelas na área da medicina. Mas, os ciclos continuaram a atrair a imigração de árabes sírios e libaneses. Onde havia uma produção agrícola ou extrativa significativa – cacau, algodão, soja, carnaúba, cana de açúcar etc. – lá estavam os mascates árabes. Fincavam raízes na região, desposavam as moçoilas interessadas e geravam filhos. Aos poucos, abrasileiravam-se, metiam-se na política local, torciam pelo time de futebol local e já não voltavam mais às suas aldeias a não ser para esporádicas visitas.
A partir de 1948, com a fundação de Israel e a consequente tragédia palestina, começaram a chegar, em ondas enormes, os árabes palestinos. Espalharam-se pelo Brasil – de São Paulo ao Rio Grande do Sul; de Minas a Brasília e Goiás; do Tocantins a Rondônia e Roraima; do Pará ao Acre; e do Maranhão a Ilhéus, na Bahia. Por onde se andava, em qualquer cidadezinha do interior, lá havia um mascate ou uma lojinha de “turco”. E se você perguntasse ao mascate, ou ao dono da loja, qual a sua origem, respondia com muito orgulho: “sou balestino!” Embora a Palestina, coitada, já não mais existisse como país.
Esses novos árabes aprenderam com os irmãos mais antigos, os sírio-libaneses, a arte de mascatear, comerciar e viver no Brasil. Muitos casaram com brasileiras e geraram filhos e netos, mas ainda continuam sonhando com a volta à Palestina. Por terem passado pela tragédia da perda da pátria, a destruição de casas e aldeias, a perda de plantações e pomares, eles mantêm como ideia obsessiva a reconquista da Palestina e o retorno a ela. Em consequência, a adaptação ao Brasil tem sido mais lenta e sofrida. Quando há uma celebração religiosa – o Eid al-Fitr, que celebra o fim do mês de jejum; ou o Ramadan, por exemplo – se cumprimentam dizendo:
- Sinat al-jeia fi Falastin, insha’Allah! (O ano que vem na Palestina, se Deus quiser!).
Apesar disso, os árabes palestinos têm muito orgulho de ter a nacionalidade brasileira. Eles têm menos problemas na alfândega de Israel quando vão visitar parentes que permaneceram na ‘Terra Ocupada’ – como a chamam, por causa do passaporte brasileiro. Nos campeonatos mundiais de futebol, se estivermos na Cisjordânia ou Gaza, nota-se que sete entre 10 casas de qualquer cidade, aldeia ou campo de refugiados, têm a bandeira brasileira no seu topo ou na janela. E quando o Brasil marca um gol, a gritaria e a festa é tanta que você tem a impressão de estar em uma cidade brasileira.
Quando os imigrantes árabes concluíram que não mais sairiam do Brasil, decidiram construir templos religiosos. Há várias igrejas cristãs maronitas e ortodoxas nas principais cidades brasileiras, especialmente nas regiões onde houve maior concentração dos primeiros imigrantes sírio-libaneses: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e outras. A mais notável presença religiosa dos imigrantes árabes tem sido a dos muçulmanos. Existem dezenas de mesquitas espalhadas Brasil afora. Além dos grandes centros – São Paulo, Rio, Curitiba, Belo Horizonte e Brasília – há belas mesquitas no interior dos Estados. São Paulo é onde mais se encontram templos com a forma arquitetônica típica. Mas há cidades do interior brasileiro que têm belas mesquitas; talvez a mais bonita seja a de Foz do Iguaçu. Mas há mesquitas em cidades tão diversas quanto Paranaguá, no Paraná, ou Lages, em Santa Catarina.
Brincadeiras à parte, na minha avaliação, uma das mais importantes influências que os primeiros sírios e libaneses deixaram no nosso caldeirão cultural, é a culinária. A maioria dos brasileiros já experimentou um quibe frito, assado ou cru; uma iguaria regada com muito azeite de oliva e servida com o pão árabe. Muitos adoram o tabule – a salada feita com pepino japonês, tomate, alface americana, cebola picada, muita salsa e hortelã; temperada com sal, pimenta do reino, azeite e sumo de limão. Não tem quem não goste de uma kafta no espeto; um babaganush, a pasta de berinjela; de um hummus, a pasta de grão de bico com molho de gergelim; um charutinho de folha de parreira. Portanto, a culinária árabe – precisamente a sírio-libanesa – é variada e goza de uma grande popularidade no Brasil. Não há esquina na cidade de São Paulo que não tenha um boteco onde você pode comer um quibe frito acompanhado de um ‘martelinho’.
Alhamdulilleh! (Graças a Deus!)
* Gilberto Abrão
De origem árabe, Gilberto Abrão – autor do livro “Mohamed, o latoeiro”, lançado pela Primavera Editorial em 2009 – foi educado em um bairro simples de Curitiba, habitado por imigrantes poloneses, ucranianos, italianos, alemães e alguns sírio-libaneses. Aos 10 anos foi enviado pelo pai ao Líbano com a missão de aprender o idioma árabe, a cultura e a religião muçulmana. Aos 14 anos voltou ao Brasil e anos depois, em 1962, alistou-se como voluntário das Forças de Emergência das Nações Unidas para guarnecer as fileiras de soldados que atuavam na fronteira entre o Egito e Israel. Por ser fluente em árabe e inglês, permaneceu por 14 meses na Faixa de Gaza. Apaixonado por uma gaúcha, retornou ao Brasil em janeiro de 1965 para lecionar inglês em uma escola de idiomas. No ano seguinte, após obter o licenciamento para abrir uma franquia dessa escola de inglês, migrou para a cidade de Novo Hamburgo (RS). Na década de 1970 colaborou com o jornal Zero Hora, no qual publicava crônicas e contos na coluna Sol e Chuva.
“ESTUDAR NO OCIDENTE ME DEU FORÇAS PARA DIZER NÃO AO DESTINO”, Maha Akhtar, escritora

“Se eu tivesse me casado com Karim quando era adolescente, o padrão da minha família não teria mudado. Eu teria uma vida muito semelhante à da minha avó e da minha mãe, que também tiveram casamentos arranjados. Em retrospecto, eu agradeço à minha mãe por ter me enviado para um internato na Inglaterra, pois viver no Ocidente me deu forças para lutar contra isso. Eu fui noiva de Karim por um ano, porque a minha tia me convencera que era o que eu precisava fazer, que era parte da minha cultura, que era o que as mulheres deviam fazer e eu aceitei isso. Mas teve uma coisa que ele me falou que mudou tudo. Ele disse que não entendia porque eu estudava tanto se tudo o que eu ia fazer era ser a mãe dos meus filhos. E tinha algo no tom da sua voz que me fez me imaginar uma escrava. Estudar no Ocidente me deu forças para dizer não a esse destino.” Maha Akhtar, autora do livro “A neta da maharani”; trecho de entrevista a Guilherme Solari, Folha Online/Livraria da Folha.
Matéria na íntegra:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u729340.shtml
Maha Akhtar está no Brasil nesta semana para divulgar o livro autobiográfico “A neta da maharani: a história real da neta de Anita Delgado, a princesa de Kapurthala”. Mais informações e agendamento de entrevistas: Betania Lins betania.lins@printeccomunicacao.com.br / (11) 5182 1806.
“O eu em ruína: perda e falência psíquica” aborda conceito psicanalítico
Com a proposta de aprofundar o conceito psicanalítico do “eu em ruína” – tema central da tese de doutorado em Psicologia
Clínica defendida na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em 2007 – a psicanalista dra. Eliane Michelini Marraccini convidou um grupo de psicanalistas para escrever artigos sobre a temática. As singulares contribuições de profissionais de vertentes distintas da psicanálise resultou no livro “O eu em ruína: perda e falência psíquica”, que será lançado em 5 de maio, às 19 horas, no Centro Cultural da Marinha em São Paulo (Avenida 9 de Julho, 4597 – São Paulo).
Segundo a organizadora da obra, dra. Eliane Michelini Marraccini, os artigos são assinados por profissionais vinculados a instituições, universidades e cursos de alto grau de especialização em psicanálise. Participam do compêndio: Adriana Campos de Cerqueira Leite, Adriana Grosman, Ana Paula Gonzaga, Claudio Eugenio Marco Waks, Cybelle Weinberg, Eliane Michelini Marracini, Elisa Maria de Ulhôa Cintra, Heloisa de Moraes Ramos, Homero Vettorazzo Filho, José Waldemar Thiesen Turna, Julieta Jerusalinsky, Marciela Henckel, Maria Beatriz Romano de Godoy, Maria Cristina Perdomo, Maria Helena Saleme, Mirian Malzyner, Paulo José Carvalho da Silva, Regina Maria Guisard Gromann e Sérgio de Gouvêa Franco.
A obra “O eu em ruína: perda e falência psíquica” é o primeiro título a ser lançado pela Divisão PSI – unidade de negócio da Primavera Editorial voltada à publicações técnicas focadas na psicologia, psicanálise e estudos associados.
SINOPSE
O eu em ruína: perda e colapso (Eliane Michelini Marraccini)
O artigo oferece a visão da noção “eu em ruína”, articulando-a a partir da clínica psicanalítica. A autora avança em relação à tese de doutorado, em construção metapsicológica que percorre considerações sobre o luto e a melancolia para destacar a importância dos primitivos “trabalho da melancolia” e “trabalho de luto” para a constituição subjetiva. É apresentado um caso clínico, cujo sofrimento devastador – a partir da perda de um ser amado – conduziu progressivamente o sujeito à ruína. Nesse colapso da subjetividade, aspectos narcísicos não apenas se revelam, mas se sobrepõem. Deflagrando a estreita vinculação com a perda vivida originalmente em relação ao objeto primário, além de revelar os efeitos perturbadores da ação primitiva da realidade no psiquismo em constituição. Estruturando-se com falhas essenciais, este psiquismo pode permanecer relativamente funcionante até que a experiência traumática de uma significativa perda afetiva tenha lugar. A partir daí, inicia-se um colapso que pode consumir o sujeito em verdadeira ruína.
A ruína do eu e sua relação com os mandatos vigentes em
seu sistema de Ideal (Homero Vetorazzo Filho)
O autor parte de um caso clínico para destacar que todo delírio tem um fragmento de verdade, assim como tem função organizadora na psicose, como compreendia Sigmund Freud. O artigo aborda o paradigma winnicottiano, destacando que o importante é o que impediu a integração que leva à formação da personalidade. Desse modo, o autor toca nas angústias primordiais impensáveis, cuja origem tem lugar em uma falha ambiental específica. Por intermédio do caso clínico, Homero Vetorazzo Filho destaca que o desmantelamento do eu tem relação direta com o relacionamento inicial mãe-filho – e o trabalho intenso da mãe no trato deste – realizando uma adaptação ativa e sensível às necessidades psíquicas do bebê. Na clínica psicanalítica, com casos fronteiriços ou de psicose, enfatiza a importância dar suporte à regressão do paciente para se aproximar das angústias e recuperar o crescimento emocional desde o processo analítico.
Desmantelamento do eu e cuidados fundamentais (Sérgio de Gouvêa Franco)
Nesse artigo, o autor parte de um caso clínico para destacar que todo delírio tem um fragmento de verdade – assim como tem função organizadora na psicose, como compreendia Freud. Aborda o paradigma winnicottiano, destacando que o importante é o que impediu a integração que leva à formação da personalidade. Deste modo, toca nas angústias primordiais impensáveis, cuja origem tem lugar numa falha ambiental específica. Por intermédio do caso clínico, destaca que o desmantelamento do eu possui relação direta com o relacionamento inicial mãe-filho e o trabalho intenso da mãe no trato deste, realizando uma adaptação ativa e sensível às necessidades psíquicas do bebê. Na clínica psicanalítica com casos fronteiriços ou de psicose, enfatiza a importância de suportar a regressão do paciente, para se aproximar dessas angústias e recuperar o crescimento emocional desde o processo analítico.
A violência dos ideais na Anorexia Nervosa: o eu corporal em ruínas (Ana Paula Gonzaga e Cybelle Weinberg)
O artigo tem por alicerce a clínica de pacientes com transtornos alimentares que, em um primeiro olhar, revelam um corpo em ruína – encenando de forma delirante a vontade de alcançar o impossível sob o imperativo de algum ideal, ou vários ideais. Lançando mão de conceitos de Bleichmar, Nasio, Lacan, Dolto, Aulagnier, entre outros, as autoras destacam o aprisionamento narcísico em que se encontram as pacientes anoréxicas; vítimas de um ego ideal tirânico, egressas de um lugar que ocupam na cena familiar – com especial destaque para a relação primitiva com a mãe e o lugar psíquico que ocupam na mente materna. São oferecidas algumas ilustrações clínicas da experiência das autoras no atendimento a esses casos.
Nas fronteiras do ego (Maria Helena Saleme)
A autora parte de quatro fragmentos clínicos, nos quais aparece, de diversas maneiras, algo de compulsividade. Neste ensaio, discutem-se as compulsões – vivências nas quais “o mais forte que eu” impõe ao ego atos do corpo que são indesejáveis ao sujeito. A autora percorre os textos freudianos e concepções de Aulagnier sobre o processo de subjetivação, mostrando uma experiência viva e ininterrupta na qual o sujeito se constitui na relação com o outro. A flexibilidade do ego, a possibilidade de convívio com diferentes imagens de si, algo que a existência pode provocar, depende das primeiras identificações, além de uma mínima coerência entre suas próprias percepções e da imagem identificatória que recebe da mãe. O trabalho na transferência poderia fornecer novas representações ao sujeito que ampliaria e flexibilizaria, então, a sua imagem, possibilitando a reorganização da psique e a tolerância ao desamparo provocado pelas afetações do viver.
Quando a vida perde o sentido (Heloisa de Moraes Ramos e Mirian Malzyner)
O artigo abarca o fenômeno depressivo até tomar conta de toda a existência do indivíduo, articulando esta questão com a Arte – como possibilidade criativa, intimamente associada aos aspectos mais primitivos do psiquismo. A vida da cantora lírica Maria Callas é a referência para evolução do pensamento das autoras, que enfocam no texto as identidades distintas – a artista e a mulher; o mito Callas/mulher Maria – como aspectos não integrados que, na clínica psicanalítica se refere ao esvaziamento do sentido da vida pela perda do gesto criativo de valor constitutivo para Winnicott. Para as autoras, qualquer um de nós, a qualquer momento, pode perder a razão de viver. No entanto, destacam que a organização precária, dependendo do abalo, produz a vivência de estilhaçamento. Nos casos em que a relação com o mundo se ancora em próteses que sustentam o self incipiente, perder a prótese é cair no abismo do desamparo e da depressão.
A glória da ruína na toxicomania (Claudio Eugenio Marco Waks e José Waldemar Thiesen Turna)
Nesse artigo, os autores destacam que o eu em ruína tem na toxicomania um estupor glorioso. Na internação hospitalar, reside a ruína da “gloriosa carreira” a que são conduzidos tais sujeitos – os quais oferecem uma narrativa psicopatológica a ser escutada. A fim de rastrear o compromisso do sujeito com o seu corpo e a demanda compulsiva pelo objeto da toxicomania. Na experiência dos autores, o germe desta ruína está instalado desde a constituição subjetiva, havendo manifestações desta perda/falta desde a tenra infância, a droga servindo como tamponamento para a angústia de natureza melancólica. Autores como Lacan, Balint, Fédida, Abraham e Torok são convocados a fim de reunir elementos para a metapsicologia do percurso do toxicômano que, ao final, conduz à ruína gloriosa, pois escancara o triunfo do desastre anunciado: provocador de alívio por confirmar a profecia. É apresentado um caso clínico que ilustra este percurso, como a trajetória psicanalítica que pode se apresentar em casos semelhantes.
Melancolia, dor e ruína (Paulo José Carvalho da Silva)
O artigo convoca a acompanhar, na história da filosofia e da psicopatologia, como o desmoronamento interno e externo, de características melancólicas, não é exclusividade do homem contemporâneo. Cita trabalhos e alinha ideias que unem Freud, Sêneca, Burton, Le Brun, Binswanger, Lambotte para fazer face à construção metapsicológica, tendo na melancolia o eixo balizador para a compreensão da tendência maior à ruína em determinados sujeitos. Dado que, para além da dor aguda na alma perante uma perda, se entregam a um processo de aniquilamento, faltantes do que mantinha a unidade de seu ser, o eu está em ruínas.
Rosa: enterrar para nascer (Adriana Campos de Cerqueira Leite)
Parte da pesquisa de doutorado da autora, o artigo explora o modelo da melancolia como paradigma para a clínica de pacientes com organização histérica, especialmente em momentos de falência das defesas. A autora elegeu um caso clínico ilustrativo, em que a paciente se encontrava em plena crise depressiva, após trágico acidente de carro que ferira gravemente o namorado; a relação amorosa não conseguiu sobreviver ao impacto traumático e à decorrente desorganização delirante. Recorrendo a elementos metapsicológicos oferecidos por autores como Freud, Abraham, Lambotte, Fédida e Khan, entre outros, a autora aponta uma condição em que a paciente não podia nem viver nem morrer, padecendo de modo masoquista de uma necessidade de punição avassaladora, que a acompanhava desde a infância.
Sobre as cinzas… (Maria Beatriz Romano de Godoy)
O artigo oferece uma construção metapsicológica que parte da experiência clínica da autora com uma paciente sobrevivente de uma história psíquica atravessada por traumas – entre eles a perda trágica do irmão – desencadeante da ruína psíquica. A autora busca partilhar com o leitor não apenas suas conclusões, mas o processo de elaboração no acompanhamento clínico da paciente, demandante de uma mudança de vértice na técnica psicanalítica. Um percurso atravessado na transferência, como indicou Bion, pela parte psicótica e não-psicótica desta personalidade psicopatológica, que guardava as cinzas do irmão no próprio quarto e não podia desfrutar da história viva, imersa que estava em um mundo interno de objetos mortos ou moribundos. Com esse caso, a autora expõe como uma organização psíquica precária – que parece carregar um vazio interior, um continente deteriorado, sem contorno, e um tecido psíquico esgarçado, que impossibilita tolerar angústias e construir força psíquica –, necessita buscar refúgio em devaneios e alucinações.
Exogamias na clínica da mulher e do homem (Marciela Henckel e Regina Maria Guisard Gromann)
As autoras enfocam, na clínica psicanalítica, a possibilidade do sujeito de traços melancólicos se transformar, ou não, em um “eu em ruína” ao longo das construções e trajetória edípica. São apresentados fragmentos de dois casos clínicos em via crucis melancólica, com dificuldades no trabalho psíquico que possibilitasse a reescrita histórica de si mesmos: uma mulher madura que atravessa um episódio depressivo com traços melancólicos à beira do colapso na crise de meia-idade – sendo um corpo em sofrimento na passagem da maternidade à maturidade –; e um homem deprimido com queixa de inibição sexual, conduzindo a pensar sobre a natureza da impotência psíquica, dificuldade em ligar/unir as correntes sensual e afetiva em relação a uma mesma figura amorosa. É destacada a construção realizada na transferência que passa pelo sintoma para se dirigir à regeneração do autoerotismo soterrado pela impossibilidade do luto, até levar aos caminhos que, passando pelo vazio depressivo, levam à feminilidade e à masculinidade, frutos de deslocamentos e exogamias que permitem novas ligações.
Bebês autônomos? Mães autofecundadas? (Adriana Grosman e Julieta Jerusalinsky)
O artigo trata das fundações do eu e da ilusão de autonomia no laço mãe-bebê. As autoras destacam a exacerbação do ideal de autonomia da modernidade, favorecendo fantasias da potência imaginária do eu – que deixam muitas vezes o saldo de uma fragilidade das referências simbólicas. Por intermédio deste ponto, estabelecem a interlocução com o conceito “eu em ruína”, ressaltando o quadro da melancolia no qual o sujeito se vê reduzido ao resto, à sobra, sem conseguir se destacar. Os “bebês autônomos” são impregnados do ideal de autonomia narcísica, não tendo lugar para seus possíveis sofrimentos, assim como são fruto de novos modos da parentalidade reforçados pelo retorno do infantil dos pais. Por outro lado, “as mães autofecundadas” são movidas por um ideal que buscam realizar sintomaticamente sob os avanços tecnológicos no campo da fertilização. Em procura de solução para um sofrimento que a abstém da elaboração subjetiva necessária em torno da falta, buscam suturá-la com o “objeto filho”. Como ilustração clínica é relatado um complexo caso atendido no contexto da prática interdisciplinar da medicina especialista em fertilização com a psicanálise.
O eu em ruínas no documentário Estamira (Elisa Maria de Ulhôa Cintra)
O artigo aborda a impressionante vida de uma mulher na qual se registram depressão, paranoia e esquizofrenia, mas na qual há lugar para a lucidez de ideias, senso de humor e força que emana da humanidade ferida. Lançando mão dos ensinamentos da psicanálise, Elisa Maria de Ulhôa Cintra busca uma compreensão do dinamismo fragmentador da pulsão de morte dominante, quando as faltas e as perdas não podem ser corrigidas ou elaboradas. Além desta fragmentação do eu, uma morte psíquica, destaca as complexas relações afetivas e sociais que favoreceram a eclosão da loucura e sua manutenção. De volta ao pó, é para onde Estamira se vê remetida inexoravelmente.
A perda, o luto e o narcisismo: uma releitura de Luto e Melancolia (Maria Cristina Perdomo)
O artigo tem início com a letra de “Pedaço de mim”, de Chico Buarque, para desenvolver as histórias de luto eternizado em três mulheres diante da perda repentina do objeto de amor – sem nenhuma proteção perante a intrusão do real de alta voltagem libidinal. A proposta foi trabalhar alguns conceitos psicanalíticos desenvolvidos no texto freudiano “Luto e melancolia” para mergulhar no funcionamento psíquico de situações de perda violenta, fazendo crônico o estado depressivo, mas que não chega a estruturar uma melancolia: a violenta perda dos pais na tenra infância é revivida na gravidez atual da paciente. A autora percorre sua prática clínica e os conceitos psicanalíticos para estabelecer distinções e especificidades essencialmente entre o luto, o luto depressivo e a melancolia.
O papel das mães na educação financeira das crianças
A ascensão feminina ao mercado de trabalho brasileiro associada à constante necessidade de atualização profissional faz com que muitas mulheres fiquem muito tempo longe dos filhos. Na tentativa de suprir essa ausência, algumas mães compensam as crianças e adolescentes com presentes e dinheiro. A mensagem que está associada à “mania de compensar” – já descrita por inúmeros especialistas das áreas de educação e psicologia como um grave problema – é que o dinheiro e os bens materiais podem compensar a tristeza ou qualquer tipo de frustração. Em outro extremo, a falta de tino dos pais no trato com as finanças cria situações em que o dinheiro é associado a um fator de estresse. No livro “Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice”, da Primavera Editorial, os jornalistas Marília Cardoso e Luciano Gissi abordam a importância da educação financeira e dão dicas para que as mães ensinem os filhos a manter uma relação saudável com o dinheiro.
Os filhos carregam dos pais muito mais que a herança genética. A forma como cada um lida com o dinheiro tem muito a ver com o que se aprendeu na infância – e não existem melhores mestres do que os próprios pais, especialmente a mãe. Entretanto, os ensinamentos vão além das palavras e são assimilados com exemplos concretos, nas vivências. Muitos especialistas defendem que pessoas que passaram por uma infância com graves problemas financeiros tendem a desencadear dois tipos de comportamento – uns tentam afastar lembranças ruins gastando incontroladamente; outros preferem guardar tudo o que ganham para não passar por novas privações.
Segundo Marília Cardoso, o modo como nos relacionamos com o dinheiro é uma das “heranças” educacionais da infância; um aprendizado que pode se refletir na vida adulta de forma positiva ou negativa. “Um exemplo negativo são os pais que na tentativa de criar filhos menos materialistas associam o dinheiro a algo sujo, um item que não traz felicidade. Há os que afirmam, inclusive, que Deus gosta apenas dos pobres. Esse tipo de mensagem pode resultar em adultos que têm medo ou raiva do dinheiro, ou seja, indivíduos que enxergam no dinheiro somente a razão para guerras e conflitos. São pessoas incapazes de associar o dinheiro ao bem-estar e tranquilidade”, afirma a jornalista.
Um dos autores do livro, Luciano Gissi, afirma que em vez de compensar a falta de tempo com presentes e proteção excessiva, as mães devem lembrar que a missão dos pais é educar. “E uma boa educação é composta por carinho, orientação e também algumas formas de repreensão. Em educação financeira não é diferente”, salienta Gissi, acrescentando que a queixa contemporânea é que vivemos em uma sociedade de valores distorcidos onde se sabe o preço de tudo, mas não se sabe o valor.
Mesada; sim ou não? Eis a questão!
Embora muitos associem a mesada ao ingresso precoce ao materialismo, a prática é uma excelente forma de educação financeira, um instrumento para dar noções de valores. No entanto, é necessário que a mãe entenda qual é a função e ajude a criança a gerir esse recurso, a programar os gastos. Ao fixar uma data para a mesada, os pais podem até considerar adiantamentos e empréstimos, mas sempre com o dia certo para o pagamento, além de uma certa parcela de juro.
Quanto ao valor estabelecido, deve ser de acordo com a renda familiar e a faixa etária. Entre três e cinco anos, a criança deve receber semanalmente, porque não há uma noção de tempo desenvolvida. Moedas que somem cerca de um real são suficientes. Entre seis e 10 anos, deve-se adotar a periodicidade mensal. O cálculo do valor pode seguir a lógica de um real por idade, multiplicado pelas semanas. A partir dos 11 anos, ou seja, na pré-adolescência, é necessário ter uma visão melhor formada e é nessa idade que a mãe deve incentivar a doação para desenvolver uma visão políticossocial baseada em valores da solidariedade. Se os pais fazem trabalhos voluntários, é fundamental que a criança acompanhe para perceber que além de doações financeiras, pode fazer doações pessoais.
De acordo com Marília Cardoso, independente da idade, a mãe – que, de modo geral, mantém mais contato com a criança – deve acompanhar de perto o destino do dinheiro e orientar os gastos da melhor forma possível. “É essencial reservar parte do dinheiro para uma minipoupança, um cofrinho ou uma caderneta de poupança formal, conduzindo uma iniciativa que mostre à criança a importância de poupar para compras maiores, mais caras”, detalha.
Dicas básicas dos autores do livro “Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice” para iniciar a educação financeira:
• Coloque a criança em contato com o dinheiro; reforce que as moedas e cédulas precisam ser bem preservadas porque, quando danificadas, o governo gasta mais dinheiro para repô-las.
• Mostre que algumas moedas e cédulas valem mais que outras, mas que todas têm o seu valor.
• Procure distinguir coisas “caras” das “baratas”. As crianças precisam entender esse conceito.
• Mostre a diferença entre “querer” e “precisar”; as necessidades básicas estão contidas no item “precisar” – o “querer” pode esperar.
• Ensine a fazer escolhas. Quando a criança quiser dois brinquedos, faça-a escolher apenas um para que passe a entender o conceito de prioridade.
• A criança deve participar da elaboração da lista de supermercado e deve fazer as compras com os pais. Lembre-a que nada que está fora da lista deve ser comprado para que haja planejamento.
• Espere datas especiais – como Natal, Dia das Crianças e aniversário – para dar presentes. O hábito de presentear fora de época pode fazer a criança se sentir à vontade para pedir qualquer coisa, independente da ocasião.
• Peça a colaboração de tios e avós, porque eles podem comprometer a educação financeira ao agirem de forma contrária aos pais.
• Não associe recompensas ao fato da criança ajudar nas tarefas domésticas. Reforce que todos têm obrigação de manter o ambiente limpo e organizado. Do contrário, a criança pode se recusar a ajudar quando não for “pago”. A mesma regra vale para as notas na escola. Dê os parabéns, valorize o esforço, mas não presenteie.
• Nunca prometa recompensas caso a criança obedeça ou cuide do irmão. Reforce que muitas coisas que fazemos não têm retorno material.
No livro “Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice”, Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca mostram que o dinheiro é uma das poucas coisas que faz parte da vida de todos os seres humanos, independente da classe social, sexo, cor e religião. A presença do dinheiro é tão comum que poucos param para pensar o tipo de relação que têm com ele. “No livro, fizemos questão de destacar depoimentos de sucesso e de fracasso no trato com o dinheiro, justamente para despertar o interesse e a reflexão sobre o papel do dinheiro na vida de cada um, independente de sermos homens ou mulheres”, salienta Marília.
Marília Cardoso
Jornalista pós-graduada em comunicação empresarial pela Universidade Metodista de São Paulo, Marília Cardoso iniciou sua carreira em 2004, auxiliando no atendimento de assessoria de imprensa de clientes como Pinnacle Systems, Kasinski Motos, Cartuchos Maxprint, Tablett Distribuidora de Informática e Hospital Professor Edmundo Vasconcelos. Na redação, atuou como produtora e repórter de programas de rádio e televisão nas emissoras Rede Mulher, Rede Gazeta e Rádio Trianon nos segmentos de saúde, beleza e comportamento. Em comunicação empresarial, desenvolveu estratégias de marketing, comunicação interna e conteúdo editorial para empresas como Petroquímica Braskem, Laboratório de Análises Clínicas Criesp, Arroz Brejeiro e Tigre. Recentemente fundou a InformaMídia Comunicação, agência especializada em comunicação corporativa e relações com a imprensa, que atende clientes como Baggio Coffees, San Marco Alimentos e professor Marcos Morita. É colaboradora da Revista Comunicação Empresarial, publicação editada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), e participa de Congressos de Comunicação com a publicação de artigos científicos da área.
Luciano Gissi Fonseca
Jornalista e radialista, Luciano Gissi Fonseca iniciou sua carreira em 1994, na agência Asa de Comunicação, em Belo Horizonte (MG), onde atuou na área de marketing. Na sequência, integrou a equipe da TV Aratu de Salvador. Como jornalista das editorias de comportamento e esportes, publicou matérias em vários veículos como portal Zip.net e o jornal japonês International Press. Como assessor de comunicação, desenvolveu projetos para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), escritório de advocacia Oliveira Neves & Associados e Informa Group Latin America. Atualmente é diretor de criação e de imprensa da Take 4 – Comunicação Estratégica e gerencia ações de mídias sociais e jornalismo corporativo para diversas empresas do Brasil e do exterior.
Alice no país das “maravilhas” do iPad
* Por Lourdes Magalhães
(…) “Meu Deus! Meu Deus! Como tudo é esquisito hoje. E ontem era tudo exatamente como de costume! Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu era a mesma quando eu levantei de manhã? Eu estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente…” (Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll).
A perplexidade de Alice me parece muito contemporânea, especialmente frente às mudanças trazidas pela tecnologia e que alteram diariamente a forma de nos relacionarmos com a literatura, a escrita e o livro. A despeito dessa surpresa, cabe ressaltar que a história do livro é marcada por inovações técnicas e pela evolução da indústria gráfica – avanços que permitiram o acesso de mais pessoas ao livro. Diante dessa perspectiva histórica, por que players importantes do setor editorial estão em pânico diante do iPad? Será que é porque estão acostumados a publicar livros da mesma forma há várias gerações? Ou se trata apenas de “paúra tecnológica”?
Em viagem ao Estados Unidos, exatamente na semana em que o iPad foi lançado pela Apple, pude acompanhar in loco o fenômeno de vendas do produto; aliás, 500 mil unidades foram vendidas em poucos dias. Em face a tudo que li na imprensa norte-americana e ao que vi nas ruas, lojas e livrarias, teimo em acreditar que a tecnologia nunca esteve tanto ao nosso lado. Em especial, ao lado de executivos do setor editorial cujo objetivo é investir para disseminar o hábito da leitura no maior número de pessoas possível. Acredito nisso porque assisti ao fascínio que o iPad desperta nas pessoas; a atração exercida é inquestionável. E o melhor exemplo desse hipnótico fascínio é a versão de “Alice no País das Maravilhas”!
Quem já teve a oportunidade de ler um livro no iPad vai perceber a diferença e quem teve a oportunidade de ler a versão digital de “Alice no País das Maravilhas” para crianças vai concordar que todos os meios a favor da literatura de qualidade são válidos. Os leitores vão continuar associando o livro a bons momentos, acrescentando a eles as opções de interagir com o texto, com imagens… Em “Alice”, os leitores vivem a emoção de fazer parte da história e do cenário. Um “dispositivo” de conhecimento concreto, palpável e que nos leva a vivenciar e criar uma história única, pessoal. Apesar de o conteúdo ter sido escrito por um autor, todo o cenário – embora tecnológico – continua a depender da imaginação do leitor. E a imaginação é muito estimulada entre os leitores contemporâneos.
Embora os novos tempos causem um certo atordoamento – o mesmo de Alice – acredito que além de inevitável, a convivência com as novas tecnologias dos livros contemporâneos pode ser prazerosa. Entretanto, essa experiência será mais intensa à medida que houver coragem para tirar proveito do passado sem temer o novo. Estamos diante de uma aventura extraordinária, da qual podemos ser protagonistas!
* Lourdes Magalhães é presidente da Primavera Editorial. Executiva graduada em matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com mestrado em
Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pennsylvania, EUA). Com experiência como consultora por 20 anos, a executiva atua no mercado editorial nacional e internacional desenvolvendo parcerias e contratos com agentes literários na avaliação de obras para a compra de direitos autorais, além de participar ativamente de feiras internacionais do setor. Lourdes Magalhães atuou em editoras consideradas referência no mercado como Ática, Scipione, Grupo Abril e Editora Brasiliense.
Escritor carioca cria blog “O VÉU” para traçar paralelo entre o Irã real e o fictício
“Em junho de 2009, enquanto as ruas de Teerã ardiam com os choques entre a polícia e os manifestantes contrários à suposta fraude ocorrida nas eleições presidenciais – que deram mais um mandato ao polêmico Mahmoud Ahmadinejad –, a professora universitária Mitra Rahmani, uma das protagonistas de O véu, encontrou-se em sigilo com um ministro do governo em um parque afastado da capital iraniana…” O post, com o título “Será o ocaso da República Islâmica?” é parte do conteúdo do blog “O VÉU” (www.oveu.wordpress.com), no qual o escritor carioca Luis Eduardo Matta traça um paralelo entre o Irã real e o fictício. O controverso país é um dos cenários do sétimo livro do escritor de origem libanesa, que é um estudioso da política do Oriente Médio desde 1990. O blog “O VÉU” foi desenvolvido pela Printec Digital e é atualizado regularmente por Luis Eduardo Matta.
Do Rio de Janeiro a Teerã, passando por Genebra, “O véu” possui uma narrativa eletrizante, na qual os bastidores do rico mercado de arte se cruzam com as sórdidas entranhas da turbulenta política do Irã. O ponto de partida é o leilão, no Brasil, de uma misteriosa tela a óleo, chamada “O Véu”. Condenado por lideranças muçulmanas por retratar uma mulher seminua usando o véu islâmico, o quadro tem uma trajetória marcada por sucesso, polêmica, intriga e tragédia. Diversas pessoas tiveram a morte associada à obra – inclusive o pintor, Lourenço Monte Mor. Resultado de minuciosa pesquisa sobre o Irã, “O véu” é uma obra atual, que transpôs para a ficção a história recente de um país marcado pela polêmica. O autor, inclusive, aborda as eleições presidenciais iranianas realizadas em junho de 2009.
Reconhecido como um dos expoentes do romance de suspense não-policial do Brasil, o autor fará a sessão de autógrafos de “O véu” na quarta-feira (2/12), a partir das 18h30, na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1.731). No Rio de Janeiro, o lançamento será em 4 de dezembro, na Livraria da Travessa (Rua Afrânio de Melo Franco, 290).
Luis Eduardo Matta
Considerado uma das vozes mais criativas e originais da nova literatura nacional, Luis Eduardo Matta nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, cidade onde atualmente reside. De origem libanesa católica parte de pai, Luis Eduardo Matta passou a infância e a adolescência entre o bairro carioca de Copacabana e uma chácara em Maricá, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Desde 1990 se dedica a estudos sobre política internacional com foco no Oriente Médio. Um dos pioneiros e principais nomes do thriller não-policial no Brasil, iniciou sua carreira literária em 1993, aos 18 anos, com o romance Conexão Beirute-Teeran (Editora Chamaeleon), prefaciado pelo embaixador e intelectual libanês Mansour Challita, um dos maiores especialistas em Oriente Médio no Brasil, de quem Matta foi grande amigo.
Sua produção intensificou-se a partir dos anos 2000, com a publicação de outros thrillers, como Ira implacável (Razão Cultural Editora) e “120 horas” (Editora Planeta). Em 2007, estreou na literatura juvenil, publicando Morte no colégio, pela Coleção Vaga-Lume e Roubo no Paço Imperial, pela Coleção Olho no Lance, ambas da Editora Ática. A ficção de Luis Eduardo Matta é caracterizada pelas tramas de mistério e suspense muito elaboradas, pela linguagem clara e elegante, pela precisão histórica e geográfica e por uma leitura diferenciada do gênero “thriller”. Com um forte perfil multicuturalista, as obras de Matta são ambientadas em diferentes países com interação entre personagens brasileiros e de outras nacionalidades, principalmente árabes, israelenses, iranianos, hispanos-americanos e naturais da chamada Europa Latina.
Em 2003, inspirado nas idéias do crítico literário paulista José Paulo Paes expostas no livro A aventura literária, Luis Eduardo Matta publicou um manifesto em prol de uma literatura de entretenimento brasileira, que apelidou de literatura popular brasileira (LPB). Nos vários ensaios que escreveu destaca-se, ainda, a defesa contundente de uma reformulação no ensino de literatura no Brasil e da democratização da leitura entre a população brasileira. O escritor mora no Rio de Janeiro. A gradativa consolidação da carreira literária de Luis Eduardo Matta tem materializado o sonho do autor: ver surgir um thriller genuinamente brasileiro. Com abordagem contemporânea e estilo ágil, sutil e refinado, Matta confere ao thriller uma fisionomia brasileira sem despojá-lo das características fundamentais do gênero universal.
Mais informações sobre o autor podem ser obtidas na entrevista concedida ao blog da Primavera Editorial. Link: http://aprimaveraeditorial.wordpress.com/2009/09/21/385/. O endereço do site do autor é www.lematta.com
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LUIS EDUARDO MATTA DEBATE “LITERATURA E ENTRETENIMENTO” NA BIENAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO

Um dos expoentes do romance de suspense não-policial do Brasil, Luis Eduardo Matta, participará da XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. O autor, integrante da programação cultural oficial do evento, participará do Café Literário, em 19 de setembro, a partir das 12 horas, painel que terá por tema “Literatura e Entretenimento”. Com a curadoria do crítico, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e poeta, Ítalo Moriconi, o Café Literário reunirá autores nacionais e internacionais em torno de bate-papos com os leitores; um diálogo direto entre autores e o público. A Bienal – que acontece de 10 a 20 de setembro, no Riocentro – reunirá mais de 100 autores brasileiros e 18 estrangeiros.
Segundo Luis Eduardo Matta, um dos autores da Primavera Editorial, o tema literatura e entretenimento é inegavelmente delicado, pois mexe com os fundamentos da literatura brasileira e contesta os rumos tomados pela produção literária nacional. Na opinião do autor, ao longo de décadas, o setor imputou ao livro o status de obra de arte, de denúncia ou espaço para experimentação, catarse ou reflexão, desvalorizando-o como objeto de lazer, capaz de preencher as horas livres do cidadão comum com momentos de diversão e distração. “Não temos no Brasil uma tradição de literatura de entretenimento. A literatura brasileira é extraordinária, mas muito sofisticada. Com isso, os leitores comuns acabaram migrando em massa para a literatura estrangeira. Eu pergunto: será que nós, brasileiros, somos incapazes de escrever como Danielle Steel, Sidney Sheldon ou Dan Brown? Escrever boa ficção de entretenimento é difícil, mas os brasileiros podem fazê-lo muito bem”, defende o autor que, em outubro, lançará o livro “O véu”, pela Primavera Editorial.
Inspirado em José Paulo Paes, um dos mais importantes críticos e pensadores literários brasileiros do século XX, Matta tornou-se defensor do que batizou de Literatura Popular Brasileira (LPB) – formatada aos moldes da Música Popular Brasileira (MPB) que, a despeito da declarada não-erudição, se firmou como paradigma de qualidade e excelência. O autor chama a atenção, também, para a importância de dessacralizar o ato de ler. “Ao longo do tempo fomos construindo uma aura de deferência em torno do ato de ler; um verdadeiro ritual religioso de ode ao conhecimento e à grandeza da alma e da mente. Todo esse cerimonial sempre me incomodou por inúmeros motivos e o principal é o fato de ter, desde a infância, uma forte relação de intimidade com os livros, ou seja, o ato de ler sempre me foi natural”, afirma Luis Eduardo Matta, que promete detalhar esses e outros assuntos no Café Literário.
Luis Eduardo Matta
Luis Eduardo Matta nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, cidade onde atualmente reside. Descendente de libaneses pelo lado paterno, o autor iniciou a carreira literária em 1993, aos 18 anos, com a publicação do livro Conexão Beirute-Teeran, um thriller com nuances policiais, ambientado no pós-guerra do Líbano. A obra contou com prefácio de Mansour Challita, ex-embaixador da Liga dos Estados Árabes e uma das principais autoridades no Brasil em temas ligados ao Oriente Médio. Considerado uma das vozes mais criativas e originais da nova literatura nacional, Matta escreve em um ritmo frenético: isolado no escritório, em Copacabana, sempre às voltas com os enigmáticos enredos de suas histórias. Em poucas ocasiões, pode ser visto passeando discretamente pelas ruas e alamedas do Rio de Janeiro – a cabeça a léguas de distância à espera da visita inesperada de uma ideia arrebatadora, capaz de alterar o destino de suas personagens e o rumo de sua narrativa.
Luis Eduardo Matta publicou, em 2002, o livro Ira Implacável: Indícios de Uma Conspiração, romance de suspense e espionagem que versa sobre uma conspiração terrorista internacional ambientada no Brasil, nas Nações Unidas e no Oriente Médio. Em 2005, lançou 120 Horas – um thriller de mistério, drama, intrigas políticas e familiares; enredo no qual o mundo da alta-costura e os bastidores do tráfico internacional de armas e material atômico servem de cenário para o desenvolvimento de uma sórdida trama conspiratória. Dois anos mais tarde, em 2007, Matta publicou o thriller Morte no Colégio sobre a investigação de um assassinato que teria ligações com a busca por antigos manuscritos que comprovariam a existência do mítico continente perdido de Atlântida. A obra marcou a estreia do escritor na ficção juvenil. O segundo e terceiro títulos para o juvenil – Roubo no Paço Imperial e O Rubi do Planalto Central – foram publicados, respectivamente, em 2008 e 2009.
Em paralelo às atividades literárias, Luis Eduardo Matta se dedica, desde 2003, à redação de artigos e ensaios, publicados em diversos sites e revistas, sendo colaborador contumaz do portal de cultura Digestivo Cultural. Inspirado em José Paulo Paes (1926-1998), um dos mais importantes críticos e pensadores literários brasileiros do século XX, Matta se tornou defensor da consolidação, no País, de uma tradição de literatura de entretenimento. O autor batizou o “manifesto” de Literatura Popular Brasileira (LPB). Os polêmicos ensaios sobre o tema – publicados em 2003, 2004 e 2006 – deflagraram um debate que ganha força e conquista simpatizantes e detratores.
A gradativa consolidação da carreira literária de Luis Eduardo Matta – um apaixonado pela ficção de mistério desde a infância – materializa um antigo sonho do autor: ver surgir um thriller genuinamente brasileiro. A decisão de abraçar o ofício da escrita, no começo da década de 1990, veio acompanhada de um forte desejo de enveredar por um universo ficcional. Com uma abordagem contemporânea e um estilo ágil, sutil e refinado, Matta confere ao thriller uma fisionomia brasileira sem despojá-lo das características fundamentais do gênero universal. O “thriller verde-amarelo”, defendido pelo autor, já é uma realidade.
Primavera Editorial
Criada em 2008, a Primavera Editorial possui um catálogo formado por obras de diferentes linhas editoriais como romances históricos e sociais, ficção brasileira e estrangeira, e policiais, entre outras. Entre as características da jovem editora estão a inovação e o pioneirismo dos conteúdos, além da qualidade da produção gráfica. Com a proposta de associar a leitura ao entretenimento e lazer qualificado – assim como o cinema, teatro e artes plásticas –, a Primavera Editorial possui um catálogo peculiar, composto por obras de autores nacionais e estrangeiros que têm por linha mestra a produção de uma literatura moderna e de qualidade ímpar, que evoca hábitos e costumes de diferentes povos e épocas; uma literatura instigante e criativa, que se transforma em uma maneira lúdica e pouco convencional de entender melhor a influência das culturas na formação dos povos.
Com o selo Biz, alusivo à palavra business, a Primavera Editorial destaca obras relevantes à gestão de negócios. O selo Edu, uma referência à educação, foi criado pela Primavera Editorial para representar o investimento e a contribuição da editora no segmento de não-ficção. Em 2008 e 2009, a editora lançou títulos de sucesso como La llorona (Marcela Serrano, Chile), 31 profissão solteira (Claudia Aldana, Chile), Solstício de verão (Edna Bugni, Brasil), A décima sinfonia (Joseph Gelinek, Espanha), As duas faces da abóbora (Caco Porto, Brasil) e Há muito que contar… aqui (A. L. Kennedy, Escócia); pelo selo Biz, o “Manual de Gentilezas do Executivo – Como pequenos gestos constroem grandes empresas” (Steve Harrison, USA) e “As 3 leis do desempenho – reescrevendo o futuro de seu negócio e de sua vida” (Steve Zaffron e Dave Logan); o primeiro lançamento do selo Edu é o livro “O anel que tu me deste – O casamento no divã” (Lidia Rosenberg Aratangy).






