Blog da Primavera Editorial

Lançamentos, artigos e notícias sobre a Primavera Editorial

Arquivo de setembro, 2009

GILBERTO ABRÃO LANÇA, EM SÃO PAULO, “MOHAMED, O LATOEIRO”

A Primavera Editorial lança nesta terça-feira (22/9), em São Paulo, o livro Mohamed, o latoeiro, romance de estreia de Gilberto Abrão – autor que aos 10 anos foi enviado ao Líbano pelos pais para estudar o idioma árabe e aprender mais sobre a cultura e a religião muçulmana. Educado em dois mundos distintos, o árabe e o brasileiro, o autor usou sua história de vida para transpor para o papel a trajetória fictícia de Mohamed, um jovem imigrante sírio que chega ao Brasil no início do século passado. O “namoro” de Abrão com a literatura começou na década de 1970, quando passou a escrever contos e crônicas para o jornal Zero Hora e se consolida quatro décadas depois com o lançamento do livro que promete encantar leitores ávidos por informações sobre a presença da comunidade árabe no País. Embora seja uma obra de ficção, há muito de vida real em Mohamed, o latoeiro. O evento de lançamento será a partir das 19h30, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), no Parque Ibirapuera (Portão 3 – s/nº).

Mohamed Ibrahim Othman é latoeiro, mas poderia ser pastor de cabras, vendedor de frutas, mascate… Longe de ser um herói, a personagem é um homem com profundas contradições e dilemas, uma pessoa que traz as marcas da transição de uma sociedade conservadora para uma estrutura social contemporânea, globalizada. A história enfocada em Mohamed, o latoeiro se passa no cotidiano, espaço e tempo em que amamos, temos filhos, fazemos amigos e nos separamos. O autor Gilberto Abrão mostra com maestria a saga de um homem comum e reverencia a extraordinária cultura árabe – as mesclas com a cultura brasileira, os sabores e condimentos contidos em passagens tristes e tantas outras engraçadas. A obra é uma viagem para leitores especiais, uma saudação aos milhares de imigrantes de diferentes partes do Oriente Médio; pessoas que por força das circunstâncias vieram para o Brasil no século passado, mas que acabaram por escolher, por amor, permanecer aqui.

O escritor revê suas memórias, permitindo ao leitor uma interpretação alternativa das personagens narradas. Por meio da trajetória de Mohamed, o autor mostra que os pontos decisivos de uma existência não são decorrentes dos fatos, sim das revisões na história que se usa para falar da própria vida.

Gilberto Abrão
“Segundo meu pai, o fato de eu ter nascido durante a 2ª Guerra Mundial justifica a minha rebeldia e falta de juízo”, conta Gilberto Abrão, que foi educado em um bairro simples de Curitiba, habitado por imigrantes poloneses, ucranianos, italianos, alemães e alguns sírio-libaneses. Aos 10 anos foi enviado pelo pai ao Líbano com a missão de aprender o idioma árabe, a cultura e a religião muçulmana. “Voltei aos 14 anos, fui estudar à noite e trabalhar durante o dia. O colégio não tinha boa fama, pois aceitava alunos já crescidos, rejeitados ou expulsos de outras escolas. No entanto, o prédio anexo à escola abrigava a Faculdade de Direito de Curitiba, onde acompanhei brilhantes conferências de renomados intelectuais e polítcos, de diferentes vertentes e posições partidárias, das décadas de 1950 e 1960”, detalha o autor.

Rato de biblioteca, Gilberto Abrão leu os grandes clássicos da literatura nacional e mundial – de Machado de Assis a Franz Kafka – além velhos jornais de Angola e Moçambique. Em 1962, o autor se alistou como voluntário das Forças de Emergência das Nações Unidas para guarnecer as fileiras de soldados que atuavam na fronteira entre o Egito e Israel. Por ser fluente em árabe e inglês permaneceu por 14 meses na Faixa de Gaza. Apaixonado por uma gaúcha, retornou ao Brasil em janeiro de 1965 para lecionar inglês em uma grande escola de idiomas. No ano seguinte, após obter o licenciamento para abrir uma franquia dessa escola de inglês, migrou para a cidade de Novo Hamburgo (RS). No início da década de 1970 iniciou o “namoro” com a literatura ao colaborar com o jornal Zero Hora, no qual publicava crônicas e contos na coluna Sol e Chuva. “Até me aventurei a tecer comentários políticos e tive a honra de ser censurado pela direção do jornal, que nessas ocasiões colocava anúncios em substituição à coluna”, conta.

Amigos – entre eles a professora Juracy Saraiva, mestre e doutora em literatura – desde 1983 insistem para que Gilberto Abrão escreva um livro. Dividido entre “ganhar dinheiro ou fazer literatura”, sempre escolheu a primeira opção. “Por conta de uma cirurgia no joelho, que me obrigou a ficar 40 dias em casa, decidi aceitar a sugestão da minha esposa e iniciar um livro. Comprei um notebook e comecei a escrever Mohamed, o latoeiro”, afirma, acrescentando que ainda continua dando as aulas de inglês.

Entrevista com Gilberto Abrão, no blog da Primavera Editorial, link: http://aprimaveraeditorial.wordpress.com/2009/09/03/gilberto-abrao-um-escritor-que-retrata-a-comunidade-arabe-em-palavras/

Jornal do Brasil

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Entrevista: Luis Eduardo Matta

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Primavera Editorial: Você começou a escrever cedo, aos 17 anos. Como foi esse “despertar” para o ofício de escritor?
Acima de tudo, inesperado. Eu assistia a uma entrevista de Jorge Amado e Zélia Gattai na televisão, quando, um desejo muito forte de escrever se apoderou de mim repentinamente, e nunca mais me largou. Era o fim da noite de 20 de janeiro de 1992, uma segunda-feira. Lembro-me daqueles momentos como se tivessem acontecido outro dia. Passei a madrugada do dia 21 em claro, anotando ideias freneticamente em um caderno de pautas; já na manhã seguinte, estava às voltas com a redação do meu primeiro thriller, Conexão Beirute-Teeran, que ficou pronto em abril. Fui contratado por uma editora em setembro, e lancei em maio do ano seguinte, quando eu já estava com 18 anos. Essa paixão pela escrita permanece, hoje, tão forte quanto naquela época.

Primavera Editorial: Os seus livros têm o Oriente Médio como um dos cenários. Por que essa escolha?
Por várias razões. Uma delas é que tenho ascendência libanesa pelo lado paterno. Isso, é lógico, foi determinante. O que mais me atrai no Oriente Médio até hoje, no entanto, é a sua riqueza histórica e cultural e, principalmente, as suas inúmeras contradições. Todos os países que compõem a região apresentam contrastes fascinantes. Além disso, é uma zona turbulenta, onde há muitos interesses em jogo e conflitos que parecem não ter fim. Um cenário perfeito para um thriller.

Primavera Editorial: Qual foi a inspiração para escrever O véu?
Quando terminei de escrever 120 horas, em abril de 1999, eu tinha três certezas sobre o romance seguinte: seria uma história diferente das que eu tinha escrito, teria cenas em um país do Oriente Médio que não fosse Líbano, Síria ou Israel – que serviram de ambientação para os meus dois thrillers anteriores – e suas principais personagens seriam mulheres. Numa tarde, conversando sobre o mercado de arte com um tio que era leiloeiro em São Paulo, percebi que esse seria um bom cenário para o livro e tive a ideia de focar a trama em um quadro intrigante, misterioso, até mesmo diabólico. Daí passei a frequentar leilões de arte e galerias, a conversar com marchands e leiloeiros, a comprar revistas especializadas e a estudar mais sobre o assunto. O livro começou a ser escrito em setembro daquele ano e eu só o concluí, de fato, em junho de 2009 – praticamente dez anos depois e após tê-lo reescrito algumas vezes.

Primavera Editorial: O que diferencia um thriller dos outros gêneros?
Acima de tudo, o suspense e algum nível de conflagração. Ambos são elementos imprescindíveisem um thriller. Todo o resto, embora tenha sua importância, é coadjuvante. O thriller é um tipo de ficção que se vale da capacidade de despertar curiosidade, tensão, ansiedade, terror e emoção no leitor para seduzi-lo a atravessar toda a história.

Primavera Editorial: Como é o seu processo de criação? Você tem uma rotina para escrever?
Preciso ter, porque sou naturalmente disperso e com uma tendência à indisciplina. Então, me obrigo a escrever por um número de horas diárias, todos os dias, inclusive nos finais de semana. Como me ocupo, simultaneamente, de literatura para adultos e para adolescentes, estabeleço horários definidos para ambas. Mas tem dias em que as ideias não saem de jeito nenhum, e, aí, prefiro não forçar e gasto meu tempo com outras coisas.

Primavera Editorial: O que é, na sua opinião, ser escritor?
No meu caso, é uma forma intensa de existir e parte fundamental da minha identidade. Eu já era escritor com livro contratado quando, aos 18 anos, ingressei oficialmente na vida adulta. A literatura foi uma benção na minha vida. Ela está tão impregnada em mim, que já não sou capaz de dissociar o Luis Eduardo homem do Luis Eduardo escritor.

Primavera Editorial: Como definiria a sua obra?
São, basicamente, romances brasileiros de suspense e mistério para os públicos adulto e juvenil. Ao escrever, procuro valorizar a nossa língua, mas sempre com a preocupação de manter uma linguagem clara, fluida.

Primavera Editorial: Como foi o processo de construção de cada personagem? Você se identifica, em especial, com alguma delas?
A construção das personagens é uma das coisas mais fascinantes na criação de um livro. Eu lido com as minhas personagens quase como se fossem pessoas vivas. Nossa relação, contudo, é ambígua. Ao mesmo tempo em que me sinto muito ligado a elas, procuro guardar um distanciamento. Minhas personagens não são, de maneira alguma, alter-egos meus. São, isso sim, um somatório de pessoas que conheci na vida real e na ficção. A vida das outras pessoas me interessa muito mais do que a minha. O cotidiano, mais do que a própria literatura, é a minha maior fonte de inspiração.

Primavera Editorial: Qual foi o livro que “transformou a sua vida” e o incentivou a exercer o ofício das letras?
Essa é uma pergunta difícil. Um livro que certamente me transformou foi o primeiro que li, pois me despertou a paixão pela leitura. Ele pertencia à antiga série da “Inspetora”, escrita por Ganymedes José, que acabei lendo toda. Já o estímulo à escrita veio, mais do que dos livros, de uma necessidade de exteriorizar um mundo interior que pulsava inquieto dentro de mim e pedia para ser libertado.

Primavera Editorial: Você tem algum escritor que o influenciou?
Agatha Christie foi, sem dúvida, uma influência marcante. Embora meus thrillers não sejam policiais.

Primavera Editorial: O que você está lendo atualmente?
Sou eclético nas minhas leituras. Nunca torci o nariz para nenhum tipo de literatura. Costumo ler vários livros ao mesmo tempo. Neste momento, estou conciliando a leitura de três ótimos thrillers – um francês, um espanhol e um argentino – com a releitura de Os sertões, de Euclides da Cunha.

Primavera Editorial: Qual é o “conselho” que daria aos novos escritores?
Tenham paixão pela escrita, em primeiro lugar. Cultivem a paciência, pois as coisas nesse meio costumam ser muito demoradas. Sejam autocríticos, desconfiem permanentemente do próprio talento e perseverem. A perseverança é nossa grande aliada, é ela que abre portas que parecem lacradas. E, acima de tudo, controlem o próprio ego. A vaidade exacerbada é uma das maiores inimigas de um escritor, pois faz com que ele se dê uma importância excessiva, uma importância que ele não possui. Devemos lutar contra a nossa vaidade todos os dias. Ela pode devorar a nossa alma e nos transformar em criaturas ridículas e detestáveis.

Primavera Editorial: O que vem a ser o movimento da “Literatura Popular Brasileira” que você defende?
Não é bem um movimento. Eu nem tenho competência para capitanear um movimento literário. A “Literatura Popular Brasileira” é uma proposta aberta a todos os escritores, sobretudo os iniciantes, que se originou de uma percepção minha em relação à nossa literatura. Temos, historicamente, uma carência de literatura de entretenimento feita por brasileiros. Mas isso começa a ser revertido. Já há autores escrevendo nesta linha, em diferentes gêneros. Alguns com obras muito boas.

Primavera Editorial: Quais são, então, as dificuldades para a criação dessa “Literatura Popular Brasileira”?
Basicamente, a falta de tradição de uma literatura de entretenimento no Brasil. A nossa literatura, que é extraordinária sob vários aspectos, é tratada por muitos escritores com uma solenidade excessiva. Produzir profissionalmente uma literatura popular no Brasil é, de certo modo, romper com essa tradição e muita gente não se sente capaz de fazer isso. Por outro lado, há escritores que, simplesmente, copiam de forma rasteira a ficção de gênero estrangeira, sobretudo em países onde ela está mais consolidada, como os Estados Unidos. A nossa literatura de entretenimento deve ter identidade própria. Já li, por exemplo, resenhas e depoimentos de leitores que diziam que eu pretendia ser um Frederick Forsyth brasileiro. Eu nunca tive essa intenção. Quem afirmou isso, não sabia o que estava dizendo.

Primavera Editorial: Você acha que as editoras brasileiras não atuam de forma a valorizar esse surgimento da “Literatura Popular Brasileira”?
Algumas atuam. Mas, a literatura de entretenimento é uma vertente que ainda está se consolidando e o novo sempre atrai desconfiança. Além disso, ainda somos poucos autores produzindo obras nessa linha. Com os anos, esse panorama tende a mudar. Tudo tem seu tempo para acontecer.

Primavera Editorial: Você acredita no poder transformador da literatura?lematta09.2009_ 227(1)
Totalmente. Eu sou um exemplo de alguém transformado pela literatura. A leitura abre para nós um horizonte vasto, fantástico, de infinitas possibilidades. Ler um livro é sempre uma aventura existencial. A literatura é um espelho crítico da realidade, que a reflete de forma amplificada. Ao me confrontar com tantos mundos, com tantas maneiras de pensar e de existir, expostas nas histórias que li, me tornei mais ciente da multiplicidade da vida e, portanto, mais humilde e humano. Posso afirmar, com segurança, que a literatura me fez uma pessoa melhor.

Primavera Editorial celebra a “primeira florada” no Museu de Arte Moderna de São Paulo

Lourdes Magalhães, presidente da Primavera Editorial, reunirá autores, parceiros de negócio, imprensa e leitores no Museu de Arte Moderna (MAM), em 22 de setembro, a partir das 19h30, para brindar a primeira “florada” da editora. A celebração contará com o lançamento dos livros “A neta da maharani”, de Maha Akhtar, e “Mohamed, o latoeiro”, de Gilberto Abrão, que estará presente para uma sessão de autógrafos. As duas obras têm a essência da Primavera Editorial, que desde a sua criação, há um ano, apresentou aos leitores brasileiros uma gama de obras singulares: tanto na excelência literária, quanto nos belos layouts.

Em “Mohamed, o latoeiro”, a imigração síria no Brasil do século passado e as peripécias de um jovem imigrante prometem encantar leitores ávidos por informações históricas e afetivas sobre a presença da comunidade árabe no Brasil. A própria vida do autor, enviado pelo pai aos 10 anos para o Líbano, tornou-se matéria-prima para esse romance surpreendente. “A neta da maharani” relata a intrigante saga de Maha Akhtar em busca de sua verdadeira origem, um resgate de experiências que o tempo tentou apagar. Em três gerações e um século completo, o livro traz a história de quatro mulheres admiráveis marcadas por amores secretos: Anita Delgado, uma bailaora espanhola que aos 17 anos se casou com o marajá de Kapurthala, na Índia; Laila, uma mulher libanesa independente e à frente de seu tempo; Zahra, que cometeu o erro de se apaixonar por Ajit, filho de Anita Delgado e do marajá; e Maha, que busca a verdadeira identidade em viagem que começa em Nova York, passa pela Espanha e chega à Índia.

Desafios & conquistas
O primeiro aniversário da Primavera Editorial celebra um ano de conquistas da editora, que passou a ser reconhecida no mercado editorial pela postura arrojada na aquisição dos direitos de publicação de títulos estrangeiros; pelo investimento em novos talentos nacionais e pela agilidade nos lançamentos. Em seu primeiro ano, a editora atravessou a crise mundial sem reduzir os investimentos e registrou um aumento de 40% nas vendas, após a aliança estratégica com a Superpedido Exclusivas, unidade de negócio da Superpedido Tecmedd – empresa criada recentemente que se tornou a maior distribuidora de livros do Brasil com receita anual de R$ 84 milhões, carteira de 2 milhões de títulos e atendimento a mais de 1,5 mil pontos de venda. Desde março de 2009, a Superpedido Exclusivas – dirigida por Ivo Camargo – assumiu a gestão de comercialização, crédito e logística da Primavera Editorial que, por sua vez, passou a focar exclusivamente a produção editorial e marketing. Com a parceria, a Superpedido Exclusivas colocou à disposição da editora tecnologia de ponta e padrões de excelência no relacionamento com a cadeia de distribuição do mercado editorial nacional.

Alinhada ao conceito de “butique de livros”, a Primavera Editorial adota como proposta associar a leitura ao entretenimento e lazer qualificado – assim como o cinema, teatro e artes plásticas. Criada na primavera de 2008, a editora possui um catálogo peculiar, composto por obras de autores nacionais e estrangeiros que têm por linha mestra a produção de uma literatura moderna e de qualidade ímpar, que evoca hábitos e costumes de diferentes povos e épocas; uma literatura instigante e criativa, que se transforma em uma maneira lúdica e pouco convencional de entender melhor a influência das culturas na formação dos povos.

Investindo em diferentes linhas editoriais como romances históricos e sociais, ficção brasileira e estrangeira e policiais, entre outras, as obras da Primavera Editorial são associadas à inovação e ao pioneirismo dos conteúdos, além da qualidade da produção gráfica. No portfólio da editora estão títulos de sucesso como La llorona (Marcela Serrano, Chile), 31 profissão solteira (Claudia Aldana, Chile), Solstício de verão (Edna Bugni, Brasil), A décima sinfonia (Joseph Gelinek, Espanha), As duas faces da abóbora (Caco Porto, Brasil) e Há muito o que contar…aqui (Alison Louise Kennedy, Escócia). Pelo selo BIZ – criado para a publicação de livros que fomentam uma cultura corporativa positiva –, a Primavera Editorial lançou o Manual de gentilezas do executivo (Steve Harrison) e As 3 leis do desempenho – reescrevendo o futuro de seu negócio e de sua vida (Steve Zaffron e Dave Logan). Com o selo EDU, uma alusão à palavra inglesa education, associada à educação continuada, a Primavera Editorial criou uma divisão que representa o investimento da editora no segmento de não-ficção. “O anel que tu me deste – O casamento no divã”, de Lidia Rosenberg Aratangy, e “Livro dos avós – Na casa dos avós é sempre domingo?”, de Lidia Rosenberg Aratangy e Leonardo Posternak, são os primeiros lançamentos do selo.

Até dezembro de 2009, a Primavera Editorial lançará mais dois títulos: “O véu”, de Luis Eduardo Mata, e “Na ponta do leque”, de Jocelyne Godard.

LIDIA ROSENBERG ARATANGY PARTICIPA DO DEBATE “QUEM SERÁ O NOVO PRÍNCIPE?” NA XIV BIENAL INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO

Quem é o novo príncipe? A pergunta será o ponto de partida da participação da psicanalista e terapeuta Lidia Rosenberg Aratangy na programação oficial cultural da XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. O tema será debatido no espaço Mulher e Ponto, em 19 de setembro, às 19h30. Desenvolvido especialmente para o público feminino – grande frequentador da Bienal e responsável por mais da metade do número de leitores do país – o espaço Mulher e Ponto vai abrigar encontros informais entre autores brasileiros que retratam nas suas obras e o próprio cotidiano e assuntos do interesse das leitoras. Com a curadoria da jornalista Sonia Biondo, os temas abarcam comportamento, literatura, filosofia e relações afetivas, entre outros. A Bienal – que acontece de 10 a 20 de setembro, no Riocentro, e homenageia os Estados Unidos – reunirá mais de 100 autores brasileiros e 18 estrangeiros, que participarão de debates, sessões de autógrafos e encontro com leitores.

Autora do sucesso editorial “O anel que tu me deste – o casamento no divã”, que passa a integrar o portfólio da Primavera Editorial – Lidia Rosenberg Aratangy analisa, na obra, o casamento e seus protagonistas com a experiência de uma profissional que bebe na fonte da psicanálise e que atua com terapia de casais há mais de 30 anos. A obra reflete o olhar, os sentimentos e pensamentos de uma mulher casada há quase 50 anos; uma profissional que lança uma análise criteriosa e propõe uma reflexão profunda e bem-humorada sobre o casamento.

O que acontece depois do “felizes para sempre”? As complexas relações humanas, as origens históricas e situações ricas que mostram os mitos, medos, contradições, armadilhas e desgastes – evitáveis e inevitáveis – do casamento são a base do livro. Segundo a autora, a obra é fruto da experiência obtida ao se debruçar sobre os vínculos mais ou menos amorosos, na esperança de ajudar os casais a reconhecer os fantasmas que contaminam ou enriquecem o relacionamento. “O livro não pretende ser um manual para o bom casamento; não por qualquer espécie de tabu que impeça um psicólogo de formação analítica de tomar posição ou emitir sabedorias sobre o assunto, mas porque a experiência me ensinou que não existe um modelo de bom casamento”, afirma Lidia, acrescentando que os vínculos amorosos com intenção de permanência podem assumir inúmeras formas.

Lidia Rosenberg Aratangy
Terapeuta de casais e de famílias, Lidia Rosenberg Aratangy é professora universitária desde 1962 e autora de livros adotados em vários estabelecimentos de ensino. A especialista ministra inúmeras palestras e cursos no Brasil, destinados a adolescentes, pais e professores de escolas de diferentes níveis socioeconômicos. Lidia lançou as obras: O sexo é um sucesso (Editora Ática, 1988); Doces venenos, conversas e desconversas sobre drogas (Editora Olho Dágua, 1991); Olho no olho (Editora Olho Dágua, 1992); Tesouros da juventude (Editora Olho Dágua, 1993); O amor tem mil caras (Editora Olho Dágua, 1994); Sexualidade, a difícil arte do encontro (Editora Ática, 1995); Desafios da convivência (Editora Gente, 1998); Drogas na escola (capítulo O desafio da prevenção, Summus Editorial, org. Julio Groppa Aquino, 1998); O prazer e o pensar (capítulo Sexo, drogas e outros enroscos; Editora Gente, organização de Marcos Ribeiro, 1999); Pais que educam filhos que educam pais (Editora Celebris, 2003); e Tá na roda – Uma conversa sobre drogas (capítulo O adolescente e as drogas; Secretaria de Estado da Educação, Fundação Roberto Marinho, 2004); e O corpo: limites e cuidados (Editora Ática, 2007).

Bacharel em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), em 1962, Lidia Rosenberg Aratangy concluiu, em 1967, a especialização em Genética Médica em Turim (Itália) e em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) – Faculdade de Psicologia em que começou a lecionar, em 1968, e cuja direção exerceu de 1981 a 1985. Lidia Rosenberg Aratangy atuou como representante da comunidade acadêmico-científica no Conselho Estadual de Entorpecentes (1995-2000); foi consultora do MEC na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais – de quinta a oitava séries, na área de Cultura do Jovem e do Adolescente – e no Projeto de Educação a Distância (TV Escola), na área de Ética no Convívio Escolar.

Primavera Editorial
Criada em 2008, a Primavera Editorial possui um catálogo formado por obras de diferentes linhas editoriais como romances históricos e sociais, ficção brasileira e estrangeira, e policiais, entre outras. Entre as características da jovem editora estão a inovação e o pioneirismo dos conteúdos, além da qualidade da produção gráfica. Com a proposta de associar a leitura ao entretenimento e lazer qualificado – assim como o cinema, teatro e artes plásticas –, a Primavera Editorial possui um catálogo peculiar, composto por obras de autores nacionais e estrangeiros que têm por linha mestra a produção de uma literatura moderna e de qualidade ímpar, que evoca hábitos e costumes de diferentes povos e épocas; uma literatura instigante e criativa, que se transforma em uma maneira lúdica e pouco convencional de entender melhor a influência das culturas na formação dos povos.

Com o selo Biz, alusivo à palavra business, a Primavera Editorial destaca obras relevantes para a gestão de negócios. O selo Edu, uma alusão à educação, a Primavera Editorial criou uma divisão que representa o investimento da editora no segmento de não-ficção. Em 2008 e 2009, a editora lançou títulos de sucesso como La llorona (Marcela Serrano, Chile), 31 profissão solteira (Claudia Aldana, Chile), Solstício de verão (Edna Bugni, Brasil) A décima sinfonia (Joseph Gelinek, Espanha), As duas faces da abóbora (Caco Porto, Brasil) e Há muito que contar… aqui (A. L. Kennedy, Escócia); pelo selo Biz, o “Manual de Gentilezas do Executivo – Como pequenos gestos constroem grandes empresas” (Steve Harrison, USA) e “As 3 leis do desempenho – reescrevendo o futuro de seu negócio e de sua vida” (Steve Zaffron e Dave Logan).

GILBERTO ABRÃO, UM ESCRITOR QUE RETRATA A COMUNIDADE ÁRABE EM PALAVRAS

Aos 10 anos, Gilberto Abrão foi enviado ao Líbano pelos pais para estudar o idioma árabe e aprender mais sobre a cultura e a religião muçulmana. Educado em dois mundos distintos – o árabe e o brasileiro – o autor usou sua história de vida para transpor para o papel a trajetória fictícia de Mohamed, um jovem imigrante sírio que chega ao Brasil no início do século passado. O “namoro” de Abrão com a literatura começou na década de 1970, quando passou a escrever contos e crônicas para o jornal Zero Hora e se consolida quatro décadas depois com o lançamento do livro da Primavera Editorial, que promete encantar leitores ávidos por informações sobre a presença da comunidade árabe no País. Embora seja uma obra de ficção, há muito de vida real em Mohamed, o latoeiro.

“Segundo meu pai, o fato de eu ter nascido durante a Segunda Guerra Mundial justifica a minha rebeldia e falta de juízo”, conta Gilberto Abrão, que foi educado em um bairro simples de Curitiba, habitado por imigrantes poloneses, ucranianos, italianos, alemães e alguns sírio-libaneses. “Voltei do Líbano aos 14 anos, fui estudar à noite e trabalhar durante o dia. O colégio não tinha boa fama, pois aceitava alunos já crescidos, rejeitados ou expulsos de outras escolas. No entanto, o prédio anexo à escola abrigava a Faculdade de Direito de Curitiba, onde acompanhei brilhantes conferências de renomados intelectuais e políticos de diferentes vertentes e posições partidárias, das décadas de 1950 e 1960”, detalha o autor.

Rato de biblioteca, Gilberto Abrão leu os grandes clássicos da literatura nacional e mundial – de Machado de Assis a Franz Kafka – além velhos jornais de Angola e Moçambique. Em 1962, o autor se alistou como voluntário das Forças de Emergência das Nações Unidas para guarnecer as fileiras de soldados que atuavam na fronteira entre o Egito e Israel. Por ser fluente em árabe e inglês permaneceu por 14 meses na Faixa de Gaza. Apaixonado por uma gaúcha, retornou ao Brasil em janeiro de 1965 para lecionar inglês em uma grande escola de idiomas. No ano seguinte, após obter o licenciamento para abrir uma franquia dessa escola de inglês, migrou para a cidade de Novo Hamburgo (RS). No início da década de 1970 iniciou o “namoro” com a literatura ao colaborar com o jornal Zero Hora, no qual publicava crônicas e contos na coluna Sol e Chuva. “Até me aventurei a tecer comentários políticos e tive a honra de ser censurado pela direção do jornal, que nessas ocasiões colocava anúncios em substituição à coluna”, conta.

Amigos – entre eles a professora Juracy Saraiva, mestre e doutora em literatura – desde 1983 insistem para que Gilberto Abrão escreva um livro. Dividido entre “ganhar dinheiro ou fazer literatura”, sempre escolheu a primeira opção. “Por conta de uma cirurgia no joelho, que me obrigou a ficar 40 dias em casa, decidi aceitar a sugestão da minha esposa e iniciar um livro. Comprei um notebook e comecei a escrever Mohamed, o latoeiro”, afirma, acrescentando que ainda continua dando as aulas de inglês.

Saiba mais sobre o novo autor da Primavera Editorial nessa entrevista exclusiva.

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Primavera Editorial: Qual foi a inspiração para escrever Mohamed, o latoeiro?
Gilberto Abrão:
Quando eu era criança e mesmo na adolescência, ouvia as histórias contadas pelos velhos imigrantes árabes que se reuniam na Praça Tiradentes ou nos cafés da Rua XV, em Curitiba. Eles falavam de seus problemas, dos encontros e desencontros; das perplexidades com a cultura da nova pátria, as aventuras nesse interior do Brasil como mascates, seus amores e desamores, alegrias e tristezas. Nos fins de semana, visitavam-se e se reuniam em uma autêntica sessão de nostalgia: cantavam, dançavam e lembravam da terra e dos parentes que tinham abandonado. A maioria jamais voltou aos seus países. Portanto, achei que essa comunidade de imigrantes tem histórias extremamente ricas para serem contadas.

Primavera Editorial: Como é o seu processo de criação? Você tem uma rotina para escrever?
Gilberto Abrão:
Primeiramente, preciso da ideia central. Isso é o mais importante para mim. No caso do meu romance de estreia, “Mohamed , o latoeiro”, surgiu a ideia que forma a espinha dorsal da história, ou seja, a vida do herói principal. A partir daí, vou enfeitando o romance como se fosse uma árvore de Natal. Uma bola aqui, uma estrela acolá, flocos de algodão mais adiante… É muito comum modificar a história, escrever e reescrever um episódio várias vezes. Gosto de escrever. Gosto de contar histórias. Então, quando começo, vou a um ritmo só, geralmente escrevendo à noite, quando posso ler em voz alta aquilo que escrevi. Dou muita ênfase ao efeito sonoro da palavra. Nesse momento, por exemplo, já tenho o segundo livro pronto. Estou relendo para ver se precisa de modificações. Não estou escrevendo presentemente, mas já surgiu a ideia central do terceiro livro e já sinto coceira no cérebro.

Primavera Editorial: Por que optou, em sua estreia na literatura, por um romance?
Gilberto Abrão:
Poderia ter começado com um livro de contos, mas não teria o mesmo impacto – eu acho – do que um romance como “Mohamed, o latoeiro”. Acho que se você é novato no ofício, o primeiro livro tem que chamar a atenção do público e da crítica de alguma forma. Um romance que conta a saga de alguém, como é o caso desse, vem bem à feição. Sou ambicioso demais para ser lançado com um livro de contos. Talvez mais tarde eu ponha no meu projeto um livro de contos; matéria-prima para isso, eu tenho aos montes.

Primavera Editorial: Fale um pouco sobre a emoção de publicar um livro pela primeira vez? Como o livro foi selecionado pela Primavera Editorial?
Gilberto Abrão:
A emoção é indescritível! Não estou acreditando ainda; parece que não sou eu. Parece que o Gilberto Abrão escritor é outro cara. Desde que a Primavera Editorial decidiu publicar a minha obra, eu ando nervoso, excitado, impaciente, ansioso, feliz. Curo um herpes de fundo nervoso no nariz, para logo em seguida nascer outro, tamanha é a tensão. É uma excitação incomparável! Na verdade, quando enviei os originais para a Primavera Editorial, tinha terminado quase um ano antes. Já tinha enviado para uma grande editora do mercado. Eles gostaram da obra, fizeram rasgados elogios e prometeram publicá-la. Passou-se quase um ano e eles permaneciam dando um “chá de banco” – sempre me engambelando com promessas. Não aguentei mais! Seguindo o conselho de um amigo crítico literário, mandei a obra para a avaliação da Primavera Editorial. A resposta veio em menos de um mês. Da aprovação da obra até a assinatura do contrato foram uns dois meses. Vapt-vupt! A Primavera é ágil e eu gosto de gente ágil.

Primavera Editorial: O que é, na sua opinião, ser escritor?
Gilberto Abrão:
Um escritor é simplesmente aquele que retrata a sua comunidade com palavras. Daí a importância delas, as palavras. Ele tem um enorme compromisso com o povo de sua aldeia e com a sua língua. Mas, acima de tudo, deve sempre se lembrar de que é um contador de histórias. E o objetivo maior deve ser contar uma história, seja com um pesado conteúdo sociofilosófico, dramas existenciais, personagens com complexas características psicológicas ou, simplesmente, uma história gostosa de ser lida, sem maiores ambições; apenas para entreter o leitor.

Primavera Editorial: Como definiria a sua obra?
Gilberto Abrão:
Uma saga que embora leve, não se dissipa. Veio para ficar; não vai desaparecer logo ou ser esquecida. Narro a vida de um imigrante árabe – suas mazelas, alegrias, sofrimentos, derrotas e vitórias. A maioria dos personagens é árabe, portanto, a linguagem utilizada na obra é cultural e emocionalmente árabe. O leitor vai estranhar, a princípio, o modo de uma personagem cumprimentar a outra, de falar com ela; vai notar também o forte impacto da religião nas interações das pessoas. Sintetizando, é uma história árabe, com tudo que a expressão possa carregar em si de emocional, cultural e linguístico, só que narrada em português.

Primavera Editorial:Como foi o processo de construção de cada personagem? Você se identifica, em especial, com alguma delas?
Gilberto Abrão:
Cada personagem tem um pouco das pessoas verdadeiras que eu conheci na minha infância – seus dramas íntimos e idiossincrasias. Segui a receita mais comum na construção de uma história, tem o herói e tem o vilão; o bom e o mau. Mas nem sempre o herói faz o bem e nem sempre o mau caráter faz o mal. De vez em quando, os papéis se invertem. E tem a mocinha, naturalmente, que será identificada logo nas primeiras páginas, pela simpatia que vai exercer sobre o leitor.

Primavera Editorial: Qual foi o livro que “transformou a sua vida” e o incentivou a exercer o ofício das letras?
Gilberto Abrão:
São vários os livros que me incentivaram a escrever. Não seria justo mencionar só um. Desde pequeno eu sempre gostei de ler. Lia de tudo, de gibis a aventuras de Julio Verne. De jovem-adulto à maturidade, li muitos livros. Mas vou mencionar alguns que realmente deram um empurrão: Guerra e Paz, de Leon Tolstói; Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado; e Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez.

Primavera Editorial: Você tem algum escritor que o influenciou?
Gilberto Abrão:
De novo, é difícil citar só um. Eu diria que os três que mencionei acima e mais Machado de Assis, Guimarães Rosa, Franz Kafka, Thomas Mann e mais alguns escritores árabes, entre eles, o egípcio Nagib Mahfuz. Tentei absorver o máximo possível desses ícones todos.

Primavera Editorial: De que modo a experiência como voluntário das Forças de Emergência das Nações Unidas e o fato de ter vivido no Líbano influenciaram a escolha do tema do seu romance de estreia?
Gilberto Abrão:
Uma influência de quase cem por cento, eu diria. A tradição da narrativa oral é ainda muito viva nos países árabes. O árabe gosta de contar histórias, é atávico em sua cultura. Acho que os gaúchos herdaram muito disso pela Península Ibérica. O trabalho nas Forças de Emergências das Nações Unidas foi igualmente importante e influente. Estive na Faixa de Gaza e ali é um caso especial.

Primavera Editorial: Qual é o “conselho” que daria aos novos escritores?
Gilberto Abrão:
Antes de mais nada, o escritor deve viver a vida em toda a sua plenitude. É dela que ele vai extrair toda a matéria-prima para esculpir o seu romance, conto ou poesia. Em segundo lugar, conviver, ler e escrever; escrever e escrever, até que atinja o estágio maior…

LUIS EDUARDO MATTA DEBATE “LITERATURA E ENTRETENIMENTO” NA BIENAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO

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Um dos expoentes do romance de suspense não-policial do Brasil, Luis Eduardo Matta, participará da XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. O autor, integrante da programação cultural oficial do evento, participará do Café Literário, em 19 de setembro, a partir das 12 horas, painel que terá por tema “Literatura e Entretenimento”. Com a curadoria do crítico, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e poeta, Ítalo Moriconi, o Café Literário reunirá autores nacionais e internacionais em torno de bate-papos com os leitores; um diálogo direto entre autores e o público. A Bienal – que acontece de 10 a 20 de setembro, no Riocentro – reunirá mais de 100 autores brasileiros e 18 estrangeiros.

Segundo Luis Eduardo Matta, um dos autores da Primavera Editorial, o tema literatura e entretenimento é inegavelmente delicado, pois mexe com os fundamentos da literatura brasileira e contesta os rumos tomados pela produção literária nacional. Na opinião do autor, ao longo de décadas, o setor imputou ao livro o status de obra de arte, de denúncia ou espaço para experimentação, catarse ou reflexão, desvalorizando-o como objeto de lazer, capaz de preencher as horas livres do cidadão comum com momentos de diversão e distração. “Não temos no Brasil uma tradição de literatura de entretenimento. A literatura brasileira é extraordinária, mas muito sofisticada. Com isso, os leitores comuns acabaram migrando em massa para a literatura estrangeira. Eu pergunto: será que nós, brasileiros, somos incapazes de escrever como Danielle Steel, Sidney Sheldon ou Dan Brown? Escrever boa ficção de entretenimento é difícil, mas os brasileiros podem fazê-lo muito bem”, defende o autor que, em outubro, lançará o livro “O véu”, pela Primavera Editorial.

Inspirado em José Paulo Paes, um dos mais importantes críticos e pensadores literários brasileiros do século XX, Matta tornou-se defensor do que batizou de Literatura Popular Brasileira (LPB) – formatada aos moldes da Música Popular Brasileira (MPB) que, a despeito da declarada não-erudição, se firmou como paradigma de qualidade e excelência. O autor chama a atenção, também, para a importância de dessacralizar o ato de ler. “Ao longo do tempo fomos construindo uma aura de deferência em torno do ato de ler; um verdadeiro ritual religioso de ode ao conhecimento e à grandeza da alma e da mente. Todo esse cerimonial sempre me incomodou por inúmeros motivos e o principal é o fato de ter, desde a infância, uma forte relação de intimidade com os livros, ou seja, o ato de ler sempre me foi natural”, afirma Luis Eduardo Matta, que promete detalhar esses e outros assuntos no Café Literário.

Luis Eduardo Matta
Luis Eduardo Matta nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, cidade onde atualmente reside. Descendente de libaneses pelo lado paterno, o autor iniciou a carreira literária em 1993, aos 18 anos, com a publicação do livro Conexão Beirute-Teeran, um thriller com nuances policiais, ambientado no pós-guerra do Líbano. A obra contou com prefácio de Mansour Challita, ex-embaixador da Liga dos Estados Árabes e uma das principais autoridades no Brasil em temas ligados ao Oriente Médio. Considerado uma das vozes mais criativas e originais da nova literatura nacional, Matta escreve em um ritmo frenético: isolado no escritório, em Copacabana, sempre às voltas com os enigmáticos enredos de suas histórias. Em poucas ocasiões, pode ser visto passeando discretamente pelas ruas e alamedas do Rio de Janeiro – a cabeça a léguas de distância à espera da visita inesperada de uma ideia arrebatadora, capaz de alterar o destino de suas personagens e o rumo de sua narrativa.

Luis Eduardo Matta publicou, em 2002, o livro Ira Implacável: Indícios de Uma Conspiração, romance de suspense e espionagem que versa sobre uma conspiração terrorista internacional ambientada no Brasil, nas Nações Unidas e no Oriente Médio. Em 2005, lançou 120 Horas – um thriller de mistério, drama, intrigas políticas e familiares; enredo no qual o mundo da alta-costura e os bastidores do tráfico internacional de armas e material atômico servem de cenário para o desenvolvimento de uma sórdida trama conspiratória. Dois anos mais tarde, em 2007, Matta publicou o thriller Morte no Colégio sobre a investigação de um assassinato que teria ligações com a busca por antigos manuscritos que comprovariam a existência do mítico continente perdido de Atlântida. A obra marcou a estreia do escritor na ficção juvenil. O segundo e terceiro títulos para o juvenil – Roubo no Paço Imperial e O Rubi do Planalto Central – foram publicados, respectivamente, em 2008 e 2009.

Em paralelo às atividades literárias, Luis Eduardo Matta se dedica, desde 2003, à redação de artigos e ensaios, publicados em diversos sites e revistas, sendo colaborador contumaz do portal de cultura Digestivo Cultural. Inspirado em José Paulo Paes (1926-1998), um dos mais importantes críticos e pensadores literários brasileiros do século XX, Matta se tornou defensor da consolidação, no País, de uma tradição de literatura de entretenimento. O autor batizou o “manifesto” de Literatura Popular Brasileira (LPB). Os polêmicos ensaios sobre o tema – publicados em 2003, 2004 e 2006 – deflagraram um debate que ganha força e conquista simpatizantes e detratores.

A gradativa consolidação da carreira literária de Luis Eduardo Matta – um apaixonado pela ficção de mistério desde a infância – materializa um antigo sonho do autor: ver surgir um thriller genuinamente brasileiro. A decisão de abraçar o ofício da escrita, no começo da década de 1990, veio acompanhada de um forte desejo de enveredar por um universo ficcional. Com uma abordagem contemporânea e um estilo ágil, sutil e refinado, Matta confere ao thriller uma fisionomia brasileira sem despojá-lo das características fundamentais do gênero universal. O “thriller verde-amarelo”, defendido pelo autor, já é uma realidade.

Primavera Editorial
Criada em 2008, a Primavera Editorial possui um catálogo formado por obras de diferentes linhas editoriais como romances históricos e sociais, ficção brasileira e estrangeira, e policiais, entre outras. Entre as características da jovem editora estão a inovação e o pioneirismo dos conteúdos, além da qualidade da produção gráfica. Com a proposta de associar a leitura ao entretenimento e lazer qualificado – assim como o cinema, teatro e artes plásticas –, a Primavera Editorial possui um catálogo peculiar, composto por obras de autores nacionais e estrangeiros que têm por linha mestra a produção de uma literatura moderna e de qualidade ímpar, que evoca hábitos e costumes de diferentes povos e épocas; uma literatura instigante e criativa, que se transforma em uma maneira lúdica e pouco convencional de entender melhor a influência das culturas na formação dos povos.

Com o selo Biz, alusivo à palavra business, a Primavera Editorial destaca obras relevantes à gestão de negócios. O selo Edu, uma referência à educação, foi criado pela Primavera Editorial para representar o investimento e a contribuição da editora no segmento de não-ficção. Em 2008 e 2009, a editora lançou títulos de sucesso como La llorona (Marcela Serrano, Chile), 31 profissão solteira (Claudia Aldana, Chile), Solstício de verão (Edna Bugni, Brasil), A décima sinfonia (Joseph Gelinek, Espanha), As duas faces da abóbora (Caco Porto, Brasil) e Há muito que contar… aqui (A. L. Kennedy, Escócia); pelo selo Biz, o “Manual de Gentilezas do Executivo – Como pequenos gestos constroem grandes empresas” (Steve Harrison, USA) e “As 3 leis do desempenho – reescrevendo o futuro de seu negócio e de sua vida” (Steve Zaffron e Dave Logan); o primeiro lançamento do selo Edu é o livro “O anel que tu me deste – O casamento no divã” (Lidia Rosenberg Aratangy).

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