Blog da Primavera Editorial

Lançamentos, artigos e notícias sobre a Primavera Editorial

Brasil Econômico

Primavera Editorial reformula distribuição de portfólio de obras

A Primavera Editorial, presidida pela executiva Lourdes Magalhães, anuncia a criação de uma nova estrutura de distribuição nacional do portfólio de livros da editora. A estratégia prevê a criação de uma área de negócio na estrutura organizacional da Primavera Editorial, que será dedicada exclusivamente ao atendimento a grandes redes de livrarias. Associada à área, a Primavera Editorial contará com uma nova distribuidora para atender livreiros de pequeno e médio porte. A decisão de internalizar parte da operação de distribuição está alinhada à meta de desenvolver um atendimento personalizado para os livreiros e substitui a operação da Superpedido Exclusivas – divisão da Superpedido que há um ano respondia pela comercialização, crédito e logística da empresa, cuja operação será descontinuada. Os resultados de uma pesquisa destinada a avaliar o nível de satisfação dos livreiros com o sistema de distribuição da Primavera Editorial e o encerramento das atividades da Superpedido Exclusivas motivaram a mudança.

Segundo Lourdes Magalhães, a atuação da Primavera Editorial no mercado editorial nacional tem sido marcada pela inovação de conteúdo, produção gráfica e também de gestão do negócio – sendo que a realização de pesquisas para medir o nível de satisfação de parceiros da editora é parte desse trabalho diferenciado. “O conceito que associa uma editora a mera vendedora de livros não interessa à Primavera Editorial; também não nos interessa um relacionamento comercial protocolar com os livreiros. Da mesma forma como mantemos relações de confiança com nossos autores e parceiros de negócio, queremos imprimir um relacionamento diferenciado com todos os elos da cadeia. Para isso, fizemos uma pesquisa – conduzida internamente pela editora – e diante dos resultados tivemos que rever parcerias firmadas anteriormente e criar uma nova estrutura para a distribuição das obras”, detalha a executiva, acrescentando que a distribuição de livros da Primavera Editorial não sofrerá interrupções durante o processo de transição. “A diretoria da Superpedido Exclusivas, que está encerrando operações, assumiu o compromisso de implementar um plano de transição que não prejudique livreiros ou editoras”, salienta.

Com experiência como consultora por 20 anos, Lourdes Magalhães atua no mercado editorial nacional e internacional desenvolvendo parcerias e contratos com agentes literários na avaliação de obras para a compra de direitos autorais, além de participar ativamente de feiras internacionais do setor. A executiva atuou em editoras consideradas referência no mercado como Ática, Scipione, Grupo Abril e Editora Brasiliense.

“Livro dos Avós – na casa dos avós é sempre domingo?” será tema de encontro na Livraria Cultura

Os animais não conhecem os avós e, do ponto de vista biológico, uma sobrevivência que ultrapasse a idade de procriação não oferece vantagens à espécie. Para os seres humanos, a situação é diferente, pois com a criação da cultura passa a ter importância que os adultos vivam tempo suficiente para passar informações de uma geração a outra. No entanto, quando a expectativa de vida girava em torno dos 40 anos, eram poucos os que chegavam a ter netos. No século XIX, apenas 3% dos indivíduos ultrapassavam os 60 anos. Com o avanço da ciência, o cenário se alterou e pesquisas conduzidas em países com culturas e economias diferentes apontam que vivenciamos o “século dos avós”. Para abordar inúmeros aspectos que envolvem a longa trajetória dos avós, a psicoterapeuta Lidia Rosenberg Aratangy e o pediatra Leonardo Posternak – autores do “Livro dos Avós – na casa dos avós é sempre domingo?”, da Primavera Editorial – participarão do Com todas as letras, um bate-papo descontraído com amigos e leitores, no dia 12 de agosto, a partir das 18h30, na Livraria Cultura – Loja das Artes (Av. Paulista, 2.073 – Conjunto Nacional).

Pesquisas indicam as mudanças sociais protagonistas do “século dos avós”. Entre os americanos, mais da metade se tornou avô ou avó entre os 49 e 53 anos, passando de 30 a 40 anos nessa função; na França, cerca de 80% das pessoas com mais de 65 anos têm netos e quase metade desse total chegará a ser bisavô ou bisavó. Na Inglaterra, existem hoje 16,5 milhões de avós. Metade da população do país tem netos por volta dos 54 anos e é responsável por cuidar deles. Os avós ingleses passam em média seis horas e meia como substitutos dos pais. (…) “Esses dados revelam que, no enredo da espécie humana, os personagens avô e avó só aparecem recentemente, de modo que a evolução não teve sequer oportunidade de moldar um patrimônio genético que oferecesse subsídios biológicos a essas funções.”

Diante da inexistência de modelos, os autores se propõem a discutir a inúmeras questões, partindo da principal pergunta: onde a gente aprende a ser avó? Lidia Aratangy e Leonardo Postenark, na apresentação da obra, afirmam: “Gostaríamos que este livro funcionasse como um avô, que discute questões e propõe respostas; levanta problemas e indica soluções. Ao apresentar diferentes modelos e expectativas da função de avós, alguns dos quais até opostos aos estereótipos idealizados, oferecemos estratégias que propõem reduzir confrontos inúteis e diminuir a dor de confrontos inevitáveis. Tomara que este livro funcione não como um manual de ajuda, mas como um exercício de intimidade e exemplo de diálogo franco e aberto.”

Falando francamente
O primeiro capítulo, A que viemos, traz reflexões sobre as emoções envolvidas no processo de tornar-se avó e avô. Com os títulos – “Amores clandestinos”; “Os avós: uma novidade evolutiva?”; “A nova avó: uma novidade cultural?”; “Quando começa uma avó?”; e “Veja onde pisa!” – os textos desse capítulo estão repletos de orientações preciosas para ajudar avós tanto os novos quanto os experientes.. O segundo, O velho e o novo, traz os textos “Perdurar”; “Nada de novo sob o sol?”; “Avó é mãe com açúcar?”; “Não tenho idade para ser avó!”; e “No meu tempo…” a constatação do fluxo contínuo do tempo. (…) “É possível encontrar argumentos para afirmar que o mundo passa por transformações vertiginosas, que nenhuma outra geração presenciou; mas é também possível demonstrar que tudo o que foi, será. Teses opostas podem ser provadas, desde que o observador se coloque na distância adequada para por em foco o que deseja confirmar, e escolha um recorte da realidade que realce o que quer destacar. O fato é que permanência e mudanças estão presentes em todos os tempos, na história da humanidade e na vida de cada ser humano.” Página 49.

Em Disputa de território, terceiro capítulo, os tópicos analisados se referem ao “Choque de culturas”; “O puerpério, terra de ninguém”; “Os irmãos”; e “Assuntos privilegiados para a divergência”. Com bom humor e delicadeza – presente em cada página da obra – os autores abordam os percalços do caminho. No quarto capítulo, O ofício de ser avô, Lidia e Leonardo descortinam mais uma faceta do papel, nos textos “Carta para a minha neta”; “Avô é diferente de avó”; e “Dormindo com uma avó”. Em Os direitos dos avós, quinto capítulo, o exercício diário da função é posto em xeque nos textos “A casa da avó, onde é sempre domingo”; “O papo que ninguém quer”; “O direito de dizer não”; “Para que serve a família hoje?”; “Os avós e a arte de cuidar”; e “Alguns conselhos e poucas normas”. Por último, o sexto capítulo, “O direito de sair de cena”, aborda a separação: (…) “A maneira de lidar com a morte representa um dos maiores paradoxos de nossa cultura: embora a morte faça parte do enredo de todos os seres vivos e, todos nós, os humanos, saibamos que somos mortais (ninguém tem dúvidas de que vai morrer um dia), nos comportamos como se fosse uma certeza abstrata, distante, que não diz respeito diretamente a nós.”

A carta escrita por Leonardo Posternak à neta, o relato de Lidia R. Aratangy – com o título “Amores clandestinos” – e as histórias inseridas nos capítulos mostram novos ângulos dessa delicada relação; nas “cartas para a psicóloga”, questões cruciais são respondidas uma a uma de forma clara, simples e honesta.

Se Deus quiser…
(…) “Elisa, minha avó paterna, era muito bonita e vaidosa, com longos cabelos louros que usava recolhidos em um coque elaborado. Vestia-se com simplicidade e elegância, sem jamais abrir mão de saltos altos – nem dos cuidados de cabeleireiro e manicura, que nunca eram totalmente satisfatórios ao seu olhar exigente. Quando nasci, ela beirava os 70 anos. Por volta dos meus oito anos, eu já a ouvia expressar seu maior de¬sejo: “Peço a Deus que me dê vida até você fazer o Bar-Mitzvah!” Fiz meus 13 anos e, na festa, ela dançou a noite toda. A partir daí, a prece mudou: “Se Deus me der saú¬de, para ver você na Faculdade…”

Assim que entrei na Faculdade de Medicina, aos 18 anos, sua fala passou a ser: “Só quero ver você formado, depois Deus pode me chamar. ”Na festa de formatura, sua emoção contagiava a todos. Surgiu, então, um pedido novo: “Só queria estar no seu casamento”. Aos 24 anos, eu me casei sob seu olhar orgulhoso. Ela dançou só um pouco, pois muitas de suas articulações estavam tomadas pela artrose. Não pediu mais nada (ao menos em voz alta), mas viu nascer minha filha, sua segunda bisneta.

Acho que de¬pois do meu casamento, ela renovou unilateralmente seu contrato com Deus. Minha avó é um bom exemplo de como um neto pode aumentar a vontade de viver, de ser feliz, de ver a ponte da continuidade da família construída por seus descen¬dentes. Penso em seu sorriso, agora que virei avô. Talvez este¬ja na hora de eu começar a expressar meus pedidos.” Leonardo Posternak

O papo que ninguém quer
(…) “Atendendo a um pedido da filha, eu estava com a minha neta de quatro anos naquela manhã de quarta-feira. Era hora de prepará-la para a escola e de voltar ao meu consultório. Mas ela se recusa:
– Não quero ir para a escola hoje!
– Sei que prefere ficar aqui, brincando comigo. Eu também, mas você vai para a escola e eu vou trabalhar.
– Por quê?
– É assim com todo o mundo: criança vai para a escola, gente grande trabalha. Seu pai trabalha, sua mãe trabalha, seu avô traba¬lha, sua avó trabalha.
Ainda não convencida, as lágrimas se misturando ao banho, ela me pergunta:
– Vó, como é o seu trabalho?
Embatuquei. Como explicar o meu trabalho para uma criança de quatro anos? Comecei devagar, sem saber bem aonde ia chegar:
– É que uma moça está muito triste e…
– Eu também estou! – interrompe-me ela.
Achei o caminho:
– Mas você sabe que está triste porque quer ficar comigo e não pode. Quando chegar à escola e começar a brincar com seus ami¬guinhos, você vai guardar sua tristeza em uma gavetinha, e ela vai ficar lá, quietinha, até a gente se encontrar de novo. Daí a gaveta se abre e a tristeza vai embora. Mas essa moça está com uma tristeza toda misturada e confusa, que ela não sabe de onde vem, nem onde guardar. Ela vem conversar comigo, no meu consultório, pra gente desembaraçar a tristeza, separando o que está grudado, até que…
Continuei, tentando colocar em palavras acessíveis o obscuro trabalho do terapeuta. Ela me ouvia, com seus grandes olhos arre¬galados. Seu comentário foi cortante, definitivo:
– Por que ela não vai conversar com a avó dela?” Lidia R. Aratangy

Lidia Rosenberg Aratangy
Bacharel em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), em 1962, Lidia Rosenberg Aratangy concluiu, em 1967, a especialização em Genética Médica em Turim (Itália) e, em 1975, em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) – Faculdade de Psicologia em que começou a lecionar, em 1968, e cuja direção exerceu de 1981 a 1985. Lidia Rosenberg Aratangy atuou como representante da comunidade acadêmico-científica no Conselho Estadual de Entorpecentes (1995-2000); foi consultora do MEC na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais – de quinta a oitava séries, na área de Cultura do Jovem e do Adolescente – e no Projeto de Educação a Distância (TV Escola), na área de Ética no Convívio Escolar.

Terapeuta de casais e de famílias, Lidia Rosenberg Aratangy é professora universitária desde 1962 e autora de livros adotados em vários estabelecimentos de ensino. Lidia lançou as obras: O sexo é um sucesso (Editora Ática, 1988); Doces venenos, conversas e desconversas sobre drogas (Editora Olho Dágua, 1991); Olho no olho (Editora Olho Dágua, 1992); Tesouros da juventude (Editora Olho Dágua, 1993); O amor tem mil caras (Editora Olho Dágua, 1994); Sexualidade, a difícil arte do encontro (Editora Ática, 1995); Desafios da convivência (Editora Gente, 1998); Drogas na escola (capítulo O desafio da prevenção, Summus Editorial, org. Julio Groppa Aquino, 1998); O prazer e o pensar (capítulo Sexo, drogas e outros enroscos; Editora Gente, organização de Marcos Ribeiro, 1999); Pais que educam filhos que educam pais (Editora Celebris, 2003); e Tá na roda – Uma conversa sobre drogas (capítulo O adolescente e as drogas; Secretaria de Estado da Educação, Fundação Roberto Marinho, 2004); e O corpo: limites e cuidados (Editora Ática, 2007). Pela Primavera Editoral, publicou “O anel que tu me deste – o casamento no divã”.

Leonardo Posternak
Formado em Medicina pela Universidade Nacional de Buenos Aires (UNBA), em 1971, Leonardo Posternak fez residência em Pediatria no Hospital de Niños de Buenos Aires. Professor do curso “Clínica Interdisciplinar com o Bebê – A Saúde Física e Psíquica na Primeira Infância”, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), desde 2002 é membro do departamento de Higiene Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Em 2002, o médico se tornou um dos fundadores da Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê, entidade na qual integra a diretoria. Autor dos livros “E agora, o que fazer? – A difícil arte de criar os filhos” (Editora Bestseller, 1998) e “O direito à verdade – Cartas para uma criança” (Editora Globo, 2002) – o ganhador do Prêmio Jabuti 2003, na categoria Educação e Psicologia –, Posternak atende no Hospital Israelita Albert Einstein.

Diário de S. Paulo . 1º de agosto de 2010

REVISTA IMPRENSA . JULHO DE 2010

Livros em Revista . 8 de julho de 2010

“Grupo Silvestre” e literatura de entretenimento são destaque do programa Entrelinhas, na TV Cultura

Signatários de um manifesto em defesa da narrativa, do entretenimento e da popularização da literatura, os escritores André Vianco, Felipe Pena Luis Eduardo Matta e Pedro Drummond – integrantes do “Grupo Silvestre” – são destaque do programa Entrelinhas deste domingo (18/7), às 21h30, na TV Cultura. Em um bate-papo descontraído sobre livros, literatura popular brasileira e propostas para tornar a leitura acessível, os quatro escritores mostram que embora sejam de vertentes literárias distintas, têm em comum o interesse em conquistar o leitor com uma história bem contada; não restrita a uma elite produtora de regras e rótulos. Dedicado aos livros e à literatura, o Entrelinhas é apresentado por Paula Picarelli e retransmitido por quase todas as emissoras públicas do país. A reprise do programa com o “Grupo Silvestre” será dia 20/7, à 1h30.

Considerado um dos expoentes brasileiros do romance de suspense não-policial, o escritor carioca Luis Eduardo Matta – um dos autores da Primavera Editorial – acredita que o tema literatura de entretenimento é considerado delicado por questionar os fundamentos da literatura brasileira; por contestar os rumos tomados pela produção literária nacional. Na opinião do autor, ao longo de décadas, o setor imputou ao livro o status de obra de arte, de denúncia ou espaço para experimentação, catarse ou reflexão, desvalorizando-o como objeto de lazer, capaz de preencher as horas livres do cidadão comum com momentos de diversão e distração. “Não temos no Brasil uma tradição de literatura de entretenimento. A literatura brasileira é extraordinária, mas muito sofisticada. Com isso, os leitores comuns acabaram migrando em massa para a literatura estrangeira. Eu pergunto: será que nós, brasileiros, somos incapazes de escrever como Danielle Steel, Sidney Sheldon ou Dan Brown? Escrever boa ficção de entretenimento é difícil, mas os brasileiros podem fazê-lo muito bem”, afirma Matta.

Inspirado em José Paulo Paes, um dos mais importantes críticos e pensadores literários brasileiros do século XX, Matta tornou-se defensor do que batizou de Literatura Popular Brasileira (LPB) – formatada aos moldes da Música Popular Brasileira (MPB) que, a despeito da declarada não-erudição, se firmou como paradigma de qualidade e excelência. O autor chama a atenção, também, para a importância de dessacralizar o ato de ler. “Ao longo do tempo fomos construindo uma aura de deferência em torno do ato de ler; um verdadeiro ritual religioso de ode ao conhecimento e à grandeza da alma e da mente. Todo esse cerimonial sempre me incomodou por inúmeros motivos e o principal é o fato de ter, desde a infância, uma forte relação de intimidade com os livros, ou seja, o ato de ler sempre me foi natural”, defende.

Sedução pela palavra

Na percepção do escritor Felipe Pena, o entretenimento é tratado de forma preconceituosa por grande parte da crítica literária brasileira. “Entretenimento não é passatempo; entretenimento é sedução pela palavra. Nas outras artes, como o cinema e o teatro, não há mais esse espaço para a dicotomia entre erudito e popular; há misturas, fronteiras híbridas. O que não significa que a literatura de entretenimento deva ser superficial”, afirma o autor. Sobre o nome do grupo, Felipe Pena explica: “Etimologicamente, silvestre significa algo que acontece naturalmente, de forma espontânea. Foi assim que nos juntamos, espontaneamente, no dia do lançamento do romance do Edney Silvestre, a quem também homenageamos, mas que não é signatário do manifesto”, detalha.

Aos que associam o thriller a uma literatura menor, o escritor Pedro Drummond responde rapidamente. “Menor em que sentido? Não é menor em vendas, não é menor em interesse dos leitores, não é menor na capacidade de difundir cultura, não é menor em nada. Aos que defendem apenas a literatura clássica, respondo que menor é a mente mais fechada”, declara. André Vianco, que já vendeu mais de 500 mil livros, conta que é considerado um escritor underground por adorar um gênero renegado no Brasil. “Ao mesmo tempo, com o apoio dos meus leitores, desponto como um dos autores que mais vendem no Brasil”, conta.

MANIFESTO DO “GRUPO SILVESTRE”

Nós, autodenominados “Grupo Silvestre”, signatários deste manifesto, apresentamos algumas propostas para a literatura brasileira contemporânea.

1. Em literatura, entretenimento não é passatempo. É sedução pela palavra.
2. Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. Uma história bem contada é o objetivo que perseguimos.
3. A ficção brasileira precisa ser acessível a uma parcela maior da população. O que não significa produzir narrativas pobres ou mal elaboradas. Rejeitamos o rótulo de superficialidade. Escrever fácil é muito difícil.
4. Os academicismos, jogos de linguagem e experimentalismos vazios não nos interessam. Respeitamos a produção que segue estes parâmetros, mas nosso caminho é inverso.
5. Estamos preocupados com a formação de leitores assíduos e frequentes para a ficção brasileira.
6. A literatura não pode se limitar a uma elite que dita regras, cria rótulos e se autoenaltece em resenhas mútuas, eventos e panelas.
7. O autor pode e deve se esforçar pela disseminação de sua obra, o que significa se envolver com a distribuição, o marketing e demais processos da produção.
8. Gostamos de enredos ágeis e cativantes. E valorizamos títulos que chamem a atenção do leitor e despertem a vontade de chegar até o livro.
9. Não colocamos o desejo soberano de ser lido como única origem do processo criativo. Mas queremos espaço para aqueles que têm tal desejo.
10. Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, uma parcela da crítica acadêmica dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Rejeitamos esse maniqueísmo que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário.

Até o momento, os autores e editores que assinaram o Manifesto do Grupo Silvestre são: Luis Eduardo Matta, Felipe Pena, André Vianco, Pedro Drummond, Luiz Antonio Aguiar, Tomaz Adour, Barbara Cassará, Halime Musser, Helena Gomes, Raphael Dracon, Sergio Pereira Couto, Ana Cristina Rodrigues, Delfin, Estevão Ribeiro e
Moisés Liporage.

André Vianco

André Vianco é hoje o escritor brasileiro que mais conquista leitores de fantasia e terror – seus livros, com tiragens iniciais na casa dos 15 mil exemplares, são lidos de norte a sul do País. Vianco explora o sobrenatural e o imaginário popular com facilidade e entusiasmo, levando o leitor a uma viagem sem volta, a um “vício” do bem. O livro “Os sete” já bateu a casa dos 50 mil exemplares vendidos. Vianco se dedica hoje, além de conceber novas histórias em forma de livro, a transportar as narrativas para o cinema. André Vianco tem 12 livros publicados. www.andrevianco.net

Felipe Pena

Escritor, psicólogo, jornalista e professor da Universidade Federal Fluminense. Doutor em Literatura pela PUC-Rio e Pós-Doutor em Semiologia pela Université de Paris/Sorbonne III. Autor de oito livros acadêmicos e dos romances “O Analfabeto que passou no vestibular” (Editora 7 Letras, 2008) e “O marido perfeito mora ao lado” (Editora Record, 2010). Site: www.felipepena.com

Luis Eduardo Matta

Uma das vozes mais criativas e originais da nova literatura nacional, Luis Eduardo Matta nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, cidade onde atualmente reside. Descendente de libaneses pelo lado paterno, o autor iniciou a carreira literária em 1993, aos 18 anos, com a publicação do livro Conexão Beirute-Teeran (Editora Chamaeleon), um thriller com nuances policiais, ambientado no pós-guerra do Líbano. A decisão de assumir por ofício a escrita pelo viés ficcional resultou na publicação das obras Ira implacável: indícios de uma conspiração” (Razão Cultural Editora); “120 horas” (Editora Planeta); “Morte no colégio” (Editora Ática); “Roubo no paço imperial” (Editora Ática); “O rubi do planalto central” (Editora Ática); e “O véu” (Primavera Editorial). Com abordagem contemporânea e estilo ágil, sutil e refinado, Matta confere ao thriller uma fisionomia brasileira sem despojá-lo das características fundamentais do gênero universal. O mais recente livro de Luis Eduardo Matta, “O véu” – lançado pela Primavera Editorial – possui um blog (www.oveu.wordpress.com), no qual o autor mantém contato permanente com os seus leitores. www.lematta.com

Pedro Drummond

Pedro Drummond é engenheiro eletrônico especializado em sistemas de segurança. Além de apaixonado pelas letras, tem experiência em pilotagem e mergulho; foi bicampeão brasileiro de paraquedismo. A união dessas atividades deu origem ao enredo de Lemniscata – primeira obra do autor. www.pedrodrummond.com.br

Gilberto Abrão autografa “Mohamed, o latoeiro”, da Primavera Editorial, em Porto Alegre

O escritor Gilberto Abrão conduzirá uma sessão de autógrafos do livro “Mohamed, o latoeiro” hoje (22/6), a partir da s 19h30, na Fnac do BarraShoppingSul, em Porto Alegre (Avenida Diário de Notícias, 300 – Entrada G – Nível Jockey – Cristal). A obra promete encantar leitores ávidos por informações sobre a presença da comunidade árabe no País. Embora seja uma obra de ficção, há muito de vida real no romance. Aos 10 anos, Gilberto Abrão foi enviado ao Líbano pelos pais para estudar o idioma árabe e aprender mais sobre a cultura e a religião muçulmana. Educado em dois mundos distintos – o árabe e o brasileiro – o autor usou sua história de vida para transpor para o papel a trajetória fictícia de Mohamed, um jovem imigrante sírio que chega ao Brasil no início do século passado. O evento é parte da série de encontros Com todas as letras, bate-papos que reúnem escritores e leitores da Primavera Editorial.

Mohamed Ibrahim Othman – um jovem imigrante sírio que chegou ao Brasil no início do século passado. Em seu vilarejo natal, a vida era regrada pelas tradições familiares e árabes, mas ao chegar ao Ocidente se deparou com uma realidade muito diferente da relatada por parentes que já viviam aqui. Diante do desafio de conseguir algum tipo de trabalho, Mohamed fez de tudo um pouco até ,estabelecer-se como latoeiro. Conforme os anos iam passando, a saudade da família na Síria só aumentava o desejo de voltar para o local da infância. Entretanto, atrelado ao dia a dia, foi criando raízes na nova terra e misturando a cultura árabe com a brasileira. Por meio da história de Mohamed, o autor Gilberto Abrão compõe um retrato emocionante da imigração árabe no Brasil – suas marcas na cultura brasileira, os amores e dilemas desses imigrantes.

Gilberto Abrão
“Segundo meu pai, o fato de eu ter nascido durante a 2ª Guerra Mundial justifica a minha rebeldia e falta de juízo”, conta Gilberto Abrão, que foi educado em um bairro simples de Curitiba, habitado por imigrantes poloneses, ucranianos, italianos, alemães e alguns sírio-libaneses. Aos 10 anos foi enviado pelo pai ao Líbano com a missão de aprender o idioma árabe, a cultura e a religião muçulmana. “Voltei aos 14 anos, fui estudar à noite e trabalhar durante o dia. O colégio não tinha boa fama, pois aceitava alunos já crescidos, rejeitados ou expulsos de outras escolas. No entanto, o prédio anexo à escola abrigava a Faculdade de Direito de Curitiba, onde acompanhei brilhantes conferências de renomados intelectuais e polítcos, de diferentes vertentes e posições partidárias, das décadas de 1950 e 1960”, detalha o autor.

Rato de biblioteca, Gilberto Abrão leu os grandes clássicos da literatura nacional e mundial – de Machado de Assis a Franz Kafka – além velhos jornais de Angola e Moçambique. Em 1962, o autor se alistou como voluntário das Forças de Emergência das Nações Unidas para guarnecer as fileiras de soldados que atuavam na fronteira entre o Egito e Israel. Por ser fluente em árabe e inglês, permaneceu por 14 meses na Faixa de Gaza. Apaixonado por uma gaúcha, retornou ao Brasil em janeiro de 1965 para lecionar inglês em uma grande escola de idiomas. No ano seguinte, após obter o licenciamento para abrir uma franquia dessa escola de inglês, migrou para a cidade de Novo Hamburgo (RS). No início da década de 1970 iniciou o “namoro” com a literatura ao colaborar com o jornal Zero Hora, no qual publicava crônicas e contos na coluna Sol e Chuva. “Até me aventurei a tecer comentários políticos e tive a honra de ser censurado pela direção do jornal, que nessas ocasiões colocava anúncios em substituição à coluna”, conta.

Amigos – entre eles a professora Juracy Saraiva, mestre e doutora em literatura – desde 1983 insistem para que Gilberto Abrão escreva um livro. Dividido entre “ganhar dinheiro ou fazer literatura”, sempre escolheu a primeira opção. “Por conta de uma cirurgia no joelho, que me obrigou a ficar 40 dias em casa, decidi aceitar a sugestão da minha esposa e iniciar um livro. Comprei um notebook e comecei a escrever Mohamed, o latoeiro”, afirma, acrescentando que ainda continua dando as aulas de inglês.

Placar de Copas do Mundo


* Por Márcio Kroehn

A revista Placar tem o seu placar de Copas do Mundo. Até o jogo de abertura nesta sexta-feira, 11 de junho, na África do Sul, terão sido 10 torneios que passaram pelas páginas da revista. A seleção brasileira ganhou três títulos em quatro finais disputadas – um saldo para lá de positivo, mas que deve ser medido de outra maneira na contabilidade particular da Placar. As vitórias estão na beleza da cobertura esportiva. Nas três Copas da década de 1970, o mundo era praticamente em preto e branco e a televisão um luxo. Por isso, a revista trouxe imagens coloridas com sequências de lances dos gols, como se fossem tirinhas de histórias em quadrinhos. Nos dois torneios dos anos 1980, fotos que destacavam o balé do jogo e textos que levavam o leitor para dentro da magia dos 90 minutos de bola rolando. Nas três Copas seguintes, nos anos 1990, a evolução da tecnologia transpareceu nas páginas da revista: um torneio totalmente analógico na Itália, em 1990, e o universo digital tomando conta oito anos mais tarde. Pelas mãos do então diretor de redação Marcelo Duarte, Placar montou uma estrutura de redação para fazer toda a edição na França. A chegada do novo século e os anos 2000 quebraram a barreira do meio único da comunicação: mais que uma revista, Placar é uma marca que deve ser explorada na internet, no telefone celular, em imagens de DVD e onde mais o leitor apaixonado quiser boa informação sobre futebol.

É a adaptação quase natural de Placar, que inventa e reinventa sua trajetória. Em um tempo distante, a revista traduziu a emoção que a televisão ainda trazia timidamente aos telespectadores. Mais recentemente, soube complementar o brilho magnético do show de imagens. E qual teria sido o grande destaque? Nesses anos todos, há quase unanimidade: foram as edições que trouxeram os bastidores da Copa do Mundo de 1982. A dolorida derrota da seleção de Telê Santana não apagou o brilho do trabalho de Juca Kfouri, Carlos Maranhão, Marcelo Rezende e do fotógrafo JB Scalco – o Van Gogh dos pampas. As edições da revista tabelam com Zico, Falcão, Sócrates, Cerezo e companhia. E jogam ao lado do torcedor, com toda a carga de sentimento que o Brasil experimentou naquela Copa em solo espanhol. Hoje, as páginas de Placar estão envelhecidas pelo tempo, mas conservam a emoção do sangue correndo rápido após as vitórias e as lágrimas desesperadas que encerraram a trajetória de uma equipe que encantou o mundo.

Mas, abraçar apenas as edições de 1982 é cometer uma bárbara injustiça com a equipe que esteve no México em 1970. O tricampeonato brasileiro foi o mais importante evento na vida de Placar. E não apenas pela vitória. A revista estava nascendo, mas soube montar uma equipe que formou o DNA que seria passado para as gerações seguintes. O leitor veria nas edições que antecederam a Copa reportagens críticas e elucidativas sobre o ambiente da seleção. Era o enfrentamento que o regime militar detestava. Na fase de preparação da seleção brasileira, José Maria de Aquino, Lemyr Martins e Michel Laurence chegaram a ser barrados e considerados subversivos aos interesses do time verde-amarelo. “Escreviam nas entrelinhas”, disse um militar. Zé Maria respondeu que nas entrelinhas só havia espaço em branco. E ele publicaria tudo, com todas as letras, o que era de interesse do leitor. Foi a frase determinante para formar o caráter de Placar.

O interessante nessas histórias de Copa da revista são os ciclos que acontecem após o torneio mundial. Em 1982, Placar teve que se reinventar para sobreviver. Em 1970, a revista explorou nos meses seguintes a conquista e foi se mantendo firme nas bancas. Placar vive ou morre, nasce ou renasce a cada quatro anos. E esse período quadrienal ficou evidente na Copa do Mundo de 2002. A revista tinha praticamente encerrado suas atividades em janeiro daquele ano, mantendo uma estrutura enxuta para cobrir a Copa na Coreia-Japão. Sérgio Xavier Filho, Arnaldo Ribeiro e o fotógafo Alexandre Battibugli eram praticamente os únicos que restaram para levantar a bandeira da revista. A aposta foi produzir materiais complementares aos jogos da seleção brasileira. Deu tão certo que a conquista do pentacampeonato exigiu a produção de um DVD, que vendeu cópias suficientes para fazer a revista renascer.

Nesta primeira Copa do Mundo em solo africano, Placar não vai ser ingênua de encarar as redes de televisão. A promessa é que este seja o torneio com o maior número de geração de imagens. Para uma revista, é concorrência desleal. Mas lembre-se que Placar é, hoje, uma marca. E é com ela que Sérgio Xavier e sua equipe vão a campo. Placar estará em formato de jornal e na internet, com blogs e reportagens especiais. Quem sabe até vídeos especiais sejam produzidos e, principalmente, algumas surpresas que possam encantar os apaixonados leitores. Ao final, após 11 de julho, não importa qual tenha sido a seleção vencedora – apesar do Dunga, que seja a brasileira –, mas qual será a nova vitória que Placar colocará na sua sala particular de troféus.

* Márcio Kroehn, editor-assistente da revista IstoÉ Dinheiro, é o autor com Bruno Chiarioni do livro “Onde o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos 40 anos de Placar”, lançado pela Primavera Editorial.

Luiz Salgado Ribeiro e Ronnie Von

Luiz Salgado Ribeiro, autor do livro “Andanças: histórias de um jornalista à moda antiga”, participou do programa Todo Seu, exibido pela TV Gazeta. Na entrevista a Ronnie Von, o escritor relatou histórias que ilustram a dimensão do trabalho realizado pelos repórteres brasileiros nos anos de 1960, 1970 e 1980.

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